Aos 24 anos o dj e produtor alemão, Max Graef, tem o mundo a seus pés e um currículo que, muito provavelmente, fala por si. Com uma adolescência rodeada de explorações musicais e videojogos, editou música por três editoras diferentes – Apron, Tartelet e Ninja Tune -, criou a sua própria editora (M$R), tem um programa de rádio online (Fluid Soul Radio), tem uma banda – Torben Unit (conhecida anteriormente por Max Graef Band) – e ainda (se tudo isto não fosse já suficiente!) contribui para as misteriosas e intrigantes Torben Series! Este jovem, claramente “homem dos sete instrumentos”, é um dos nomes mais promissores do Lisboa Dance Festival 18′ e promete contagiar-nos com os seus sets que misturam, entre outros,  jazz, hiphop e house. Razões mais que suficientes para uma entrevista …

O teu currículo fala quase por ti mas, antes de mais, qual foi a tua primeira experiência musical e quando é que te apercebeste que querias passar o resta da tua vida envolvido na música?
Acho que a minha primeira experiência com a música foi quando era criança e o meu pai, que saiu para uma cerveja, me deixou sozinho em casa cerca de uma ou duas horas. Ele tinha por hábito deixar o rádio com jazz, para me manter calmo [ah ah]. Aliás, de facto, o meu interesse pela música advém mesmo da música que os meus pais costumavam ouvir. Casos como Breakout (banda de blues polaca), Jimi Hendrix (da parte do meu pai), assim como Sade ou Aaliyah (da parte da minha mãe) influenciaram-me bastante, e fizeram com que quisesse explorar este meio. Fazer música, para mim, foi apenas uma forma de exploração, quando era mais jovem.

Como é que foi a tua infância em Berlim? Sabemos que Berlim é uma das capitais da indústria da música e que tu odeias ser comparado à “Cena de Berlim”, mas queríamos saber se esta influenciou e moldou a música que produzes hoje em dia. Ou, por outro lado, achas que o tempo que passaste em Londres te influenciou mais?
A minha infância foi passada com o meu melhor amigo / meio-irmão a jogar jogos de consola, mas também a gravar filmes estúpidos, assim como tocar bateria e aprender a tocar guitarra. Acho que a minha principal influência, quando comecei a gravar coisas, era principalmente uma mistura de todas as bandas que andava a ouvir do que se passava à minha volta… Red Hot Chili Peppers, Free, Breakout, Led Zeppelin, Yo La Tengo, entre outras. Depois, clubes como Icon fizeram com que eu e os meus amigos começássemos a interessarmo-nos por techno,  rave e drum  and  bass. Um pouco mais tarde, foi house, depois break, depois jazz-rock e música psicadélica, depois espiritual, depois dub,  boogie e eletrónica experimental, e por aí fora… depois de volta ao techno. Ao longo destes anos, o único estilo pelo qual continuei apaixonado foi o jazz e algumas das bandas que mencionei acima. Londres foi uma óptima experiência também, tive tempo para fazer música e, como estava a morar outra vez com o meu melhor amigo, voltámos novamente a fazer filmes estúpidos e a jogar jogos de consola.

Tens apenas 24 anos e já lançaste músicas através de três editoras diferentes. Tens a tua própria editora M$R (ao lado Glenn Astro e Delfonic), tens a tua própria estação de rádio – a Fluid Soul Radio -, tens uma banda chamada Torben Unit e ainda contribuis para as misteriosas Torben Series! Tens algum tempo livre? O que costumas fazer quando o tens?
SIM! A maioria dessas coisas que acabaste de descrever não são de facto um trabalho a full-time. Fazemos o programa de rádio uma vez por mês e, na realidade, tem tudo a haver com a experiência de o ouvir ao vivo, fisicamente, onde quer que seja que o estejamos a transmitir, visto que temos sempre convidados interessantes. Portanto, não é preciso estar sempre a transmiti-lo ou a tratar de um site para fazermos o update das coisas… ainda! Na M$R planeamos os lançamentos em conjunto, assim como eventos. Coisas à parte, temos sempre tudo muito bem planeado e detalhado! O trabalho real é feito é feito na nossa base, a nível de masterização e distribuição. O Delfonic tem os contactos todos em stand-by para qualquer situação e o Glenn costuma tratar das burocracias relacionadas com os impostos [ah ah]. Tudo o que está relacionado com a música, como escrever letras para a banda, ou produzir musica, é balanceado com todas as coisas que costumo fazer…

Aparentemente, já criaste uma carreira bastante sólida. Como é que tem sido esta viagem? Geralmente como é que tem sido a resposta e a reacção dos fãs?
Não tenho bem a certeza do que responder… estou de facto muito contente por ter conhecido muitas pessoas através da música. Também estou muito contente com os meus fãs, sejam eles velhos ou novos, que não se importam com os meus desenvolvimentos experimentais musicais e as alterações que ocorreram ao longo destes anos. Tenho imensas coisas novas feitas e eu estou muito empolgado por partilhá-las com todos. Portanto acho que a “viagem” ainda está a decorrer.

Os teus dois álbuns, Rivers of the Red Planet (2014) e The Yard Work Simulator (2016), são bastante únicos e especiais à sua maneira, com bastantes elementos e estilos díspares. Para ti, quais é que são as principais diferenças entre os dois? Quais é que foram as influências para cada um deles? Em termos de processo criativo, foi difícil passar de um álbum para o outro?
São dois mundos completamente diferentes! Um foi o resultado aleatório da minha metade introvertida, que passou anos em frente do computador ou agarrada a instrumentos, enquanto bebia cerveja e experimentava com qualquer tipo de estilo. O outro, foi um projeto conceptual planeado que fiz com um produtor que eu admiro. Gosto bastante dos dois álbuns, ambos significam muito para mim de diferentes maneiras. Em termos de influências, é impossível detalhar tudo… são mesmo, muitas!


E novos projectos? Que novos projectos, de qualquer género, é que não consegues parar de ouvir e que merecem a nossa atenção imediata? Quais é que são os teus planos para 2018?
Gosto muito das coisas que o Funkycan, aka Am Kinem, anda a produzir. Ele tem muita coisa planeada para 2018 e mal posso esperar que o mundo oiça a música dele. A Planet Rescue também é uma editora porreira que mais pessoas deviam conhecer! Têm de manter debaixo de olho o TBZ / Tobrock e o DJ Neumann também! Há novas coisas planeadas dos meus amigos IMYRMIND, Kickflip Mike & Glenn Astro! Há imensa coisa espectacular a sair da M$R este ano, coisas que exploram o house, o dancehall,  techno ou, até mesmo, por estranho que pareça, o prog! Vou lançar uma nova editora que se chama Tax Free Records, que vai ter bastante música de pessoas cujo trabalho admiro imenso. À parte disso, estou muito empolgado para ouvir as novas músicas do King Krule, Embryo, Dj Tapes, Robert Bergman, entre outros. Estou empolgado com muitas coisas espectaculares que vão sair…

O que podemos esperar do teu concerto do Lisboa Dance Festival? Descreve em poucas palavras o que é que o teu futuro público pode esperar ouvir e sentir?
Adoro começar com sonoridades bastantes lentas e calmas e passar para coisas, mais aceleradas. A nível de sonoridades e estilos é um bocado difícil de descrever… algo como uma mistura entre o dub, o electro, o jazz, o techno, o ghetto-tech, o boogie e por aí fora…

Lúcio Roque