Passados dois anos desde o lançamento do seu primeiro EP, Morning After, que alcançou um considerável sucesso, os FUGLY preparam-se agora para partilhar o seu primeiro longa-duração. Gravado inteiramente pela banda no Adega Studios e lançado pela editora independente O Cão da Garagem, Millennial Shit é o primeiro álbum desta banda, que designa a sua sonoridade como punk/rock de garagem. O álbum é, também, para os ouvintes mais atentos, um primeiro retrato da geração Y  por entre notas e acordes, ficam algumas criticas e comentários à sua própria geração.

O primeiro tema do álbum é exemplo do rock de garagem dos FUGLY. “Hit a Wall” é o resultado do espírito jovem, satisfeito e despreocupado, por detrás do processo de criação musical. Lembrando a musicalidade e energia de bandas como Franz Ferdinand ou Jet, com guitarras à antiga, ou seja, sem parar ou sequer abrandar, estas ecoam não só nesta música mas por este álbum. Ainda assim, é uma voz desenfreada que assume o papel fulcral na condução da melodia. Uma ofegante bateria, que de resto é também transversal a quase todo o álbum, marca o passo naquele que é um rock de garagem muito, muito divertido.

Num álbum muito coerente, a música “Take You Home Tonight” salta à vista principalmente graças à voz, nunca cansada, de Pedro Feio. Donos de um estilo melódico e simples, sem abusar na complexidade das letras, os FUGLY são assertivos e diretos no seu trabalho: punk rápido, simples. “Delirium”, um tema constituído somente por instrumental, aparenta ser um ponto de viragem da banda para uma musicalidade bem mais sóbria e pausada, fugindo um pouco ao punk e entrando num registo lírico mais elaborado. “Rooftop” é a amostra da música sintetizada, que também faz parte do variado leque de estilos trabalhados por este grupo de jovens rapazes do Porto. “Inside My Head” é uma fusão de sons, do lento ao rápido, do passo de dança casual à loucura corporal, é um instante! Esta vai, definitivamente, proporcionar muitos saltos e muitos sorrisos, naquela que é uma música saída da garagem. Alguns torcicolos vão também ocorrer, certamente. Juventude pura toma forma e dimensão neste tema, que será, na minha humilde previsão, um dos favoritos do público.

Um dia de calor e um intenso desejo de ir à praia saborear a vida. É isto que vem à flor da pele enquanto “The Sun” nos trespassa os ouvidos. Imediatamente agarrado a esta melodia, desde o primeiro acorde, a transição guitarrística que ocorre vem, ainda mais, incendiar o ouvinte comum. Para encerrar, os FUGLY deixam-nos com uma música sem nome, ou melhor, designa-se “XXXXX” e é um bom exemplo da profundidade que a banda pode atingir. Em tom introspetivo, esta faixa desenrola-se deliciosamente entre a bateria que fica no ouvido, marcando o ritmo do inevitável abanar de cabeça, e entre as guitarras que estão em profunda sintonia com a bateria, criando assim uma música muitíssimo audível, para não dizer adorável.

Estes rapazes da cidade invicta, mesmo cantando em inglês, prometem conquistar vários palcos nacionais e também além-fronteiras, assim como alguns corações. Millennial Shit pode muito bem vir a ser o álbum que os fãs de punk rock português esperavam há algum tempo, tratando-se de uma compilação de energia jovial pura, na forma de música.

Nota: 8.0/10

Duarte barreiros