No passado dia de São Valentim, o Musicbox foi o local escolhido por Luís Severo e convidados para um espectáculo sobre amor: do bom ao mau, contando todas as peripécias que ocorrem entre os dois.

Pouco passava das 22h30min quando Luís Severo subiu ao palco de um Musicbox completamente lotado. Apresentou-se, inicialmente, a solo, passando dos acordes delicados da guitarra acústica para o piano meloso com uma facilidade admirável. Tocou o que lhe ia na alma, na cabeça e no coração, percorrendo grande parte do seu repertório musical, não deixando de parte clássicos como “Meu amor” e “Boa Companhia”.

Boa Companhia: Luís Severo e Convidados - MusicBox LIsboa (14 de Fevereiro 2018)

Os convidados foram surgindo sucessivamente, começando por Cristina Branco a cantar o tema “Alvorada” (música e letra autoria do próprio Luís Severo). De seguida, é a vez de Rodrigo (Vaiapraia & As Rainhas do Vaile) subir ao palco, emprestando a sua voz áspera e melancólica à tão conhecida “Lamento” e indo ao baú para cantar “I II”. Posteriormente, Júlia Reis (Pega Monstro), Diogo Rodrigues e Bernardo Álvares acompanharam instrumentalmente o cantautor em músicas como “Escola”, revestida de uma sinceridade agridoce, e “Amor e Verdade”, um autentico hino tanto ao amor como a Lisboa. Os companheiros de Luís seguiram todos o mesmo fio condutor, escolhendo as músicas “menos apaixonadas”, com versos que deixam sempre marca. É o caso de “Privilégio é ser homem na batota/ Na teima desta contradição/ Dás birra e até risota/ Se não me vês em tua posição” em “Planície (tudo igual)” e “Da escola que é a melhor parte da vida/ Mas só porque a vida é mesmo uma merda” no tema “Escola”, que o público repete com toda a convicção do mundo. Despediu-se do palco a solo, apenas com a guitarra acústica ao peito, ao som de “Cara d’anjo”, com a plateia a assumir o papel de coro. A forma como acaricia as cordas da guitarra enche a alma dos fãs e amigos presentes, numa magia muito própria do jovem músico.

Foi assim que o outrora Cão da Morte, entre odes ao amor e a Lisboa, proporcionou um concerto com um equilíbrio perfeito entre o instrumental e a lírica, que encantou namorados, enamorados e corações triturados.

Texto: Joana Enes
Fotos: João Conceição