Na semana passada, dias 15 e 16 de fevereiro, os Linda Martini apresentaram o seu novo álbum da banda, homónimo, no Lux. Com dois concertos esgotados, tornou-se evidente que a sua popularidade continua no auge. Em palco, os Linda Martini vieram também assegurar-nos de que a sua longa carreira ainda tem muito para dar!

Surgiram como que nascidos do palco rasgado, iluminados a cores ora frias, ora quentes. Este quarteto começou por nos envolver ao som de “Semi Tédio dos Prazeres”, mas foi com o novo single “Boca de Sal” que deixou a sala ao rubro. Não havia capacete por abanar na sala da discoteca de Lisboa. Enquanto André Henriques deixava ecoar as suas composições em bom português, as guitarras estilhaçavam, a bateria pulsava e, claro, o baixo brilhava no escuro do concerto. Foi explosivo e deixou-nos, sem dúvida, a querer tudo ao mesmo tempo! Como seria de esperar, o single “Gravidade” foi igualmente bem recebido pelos fãs. É possivelmente a faixa mais roqueira deste novo álbum, logo, como não podia deixar de ser, foi acolhida com danças e moches, especialmente na ala esquerda (como sabe quem estava presente na quinta-feira). Pedro Geraldes até teve direito a uma boleia de crowdsurfing, voando por cima da multidão e dos seus cânticos.

Era expectável que os novos singles causassem furor na plateia e que estivessem sabidos de cor e salteado pelos fãs. O que de facto muito nos surpreendeu foi o cantar em uníssono de músicas acabadinhas de sair, tais como “É só uma canção”, “Se me Agiganto” e “Cor de Osso”. Fãs de todas as idades souberam acompanhar estes temas mais recentes. Claro foi que também o souberam fazer ao som dos primórdios da banda. Ninguém se esquece de músicas como “A Lição n 1 de Vôo”, “As putas dançam slows”, “Amor Combate” e “Cem Metros Sereia”. Estas proporcionaram momentos de grande nostalgia, tanto para a banda como para aqueles que a acompanham desde o início. É curioso que este álbum seja homónimo da banda. É quase como que um álbum de afirmação. É muito autêntico e é o produto de uma longa carreira, sempre muito fiel a si mesma. Os Linda Martini quiseram deixar a marca daquilo que é a sua matéria prima, o bom rock português, o seu próprio rock português que lhes é tão único. Em palco, nota-se que se conhecem, como músicos e como pessoas. Interagem e sabem tirar o melhor proveito um dos outros.

Os Linda Martini são ainda os mesmos Linda Martini e nunca param de nos surpreender!

Texto: Picas Maria
Fotografias: Alexandra Agostinho  (foto-reportagem)