O primeiro álbum dos Them Flying Monkeys, Golden Cap, leva-nos para um mundo fantasioso, cheio de situações improváveis, e bem humorado. O rock psicadélico da banda sintrense tem influências óbvias, mas eles conseguem ter um cunho pessoal. As suas letras mais inocentes fazem com que haja uma sensação de que estes cinco rapazes estão ainda numa fase pura da sua carreira. Já deram concertos de norte a sul e ganharam a gravação de um disco com a Sony. Por isso, há aqui um certa solidez. Anteriormente já tinham lançado um EP homónimo (2015), portanto o álbum é apenas um seguimento natural desse trabalho.

O mais interessante de Golden Cap, por ser um primeiro álbum, é que as ideias já estão muito bem definidas. Normalmente, as bandas costumam não ter uma ideia muito sólida do que são, enquanto banda, nos seus primeiros álbuns. Neste trabalho, os Them Flying Monkeys mostram que percebem o que realmente querem. Claro que isso se deve ao facto de eles já tocaram e ensaiarem juntos há muito tempo, mas mesmo assim não deixa de ser extraordinário mostrarem uma performance muito certinha. As músicas mais fortes estão lá e é fácil identificá-las, nem que seja pelo facto de elas terem um visual forte. “Molly”, um dos singles é a prova disso mesmo. Quando foi lançada o videoclipe que acompanhava a música, tinha ali um apelativo visual forte que, para quem ouve e vê, já não consegue desassociar os dois. A mesma situação acontece com “When Pigs Had Wings”. Quem é não imagina porcos a voar na sua cabeça? A maturidade da banda vê-se sobretudo em temas como “Halos” e “Blissful”, que têm arranjos mais sofisticados e harmoniosos.

Golden Cap é um primeiro álbum que mostra ideias próprias e que podem desenvolver para outros caminhos. Os Them Flying Monkeys não querem parar, já este ano têm planeado mais um álbum, já com coisas novas em mente e para cimentar um som mais próprio. Mais do que isso, têm vontade tocar e experiemntar. Estes cinco macacos querem encontrar novos universos, explorar as suas capacidades e compararem-se com os seus pares.

Nota: 7.5/10

Rodrigo Castro