No último Sábado, 3 de Março, numa noite em que a tentação de ficar no sofá era considerável, a Punch enfrentou a chuva traiçoeira e a agitação marítima, apanhando o ferry até Cacilhas. Na outra margem, num Ginjal Terrasse tão perto do cais que até dispensa a abertura do guarda-chuva, aguardava-nos a última sessão desta tournée Super Nova, iniciativa do Maus Hábitos, que contou com três nomes bem interessantes: Whales10 000 Russos e Throes + The Shine

A sala principal do Ginjal Terrasse, com vista priveligiada para o Tejo e as luzes de Lisboa, compôs-se com um misto de público bastante peculiar, tanto em idades como em formas de estar. Numa competição de passos de dança entre millennials e reformados, coube aos leirienses  Whales o primeiro concerto da noite. Os vencedores do Festival Termómetro de 2016 brindaram o público com todas as músicas do seu álbum de estreia, que chega já no próximo dia 16, sob selo da Omnichord Records. Com uma sonoridade que nos lembra os nossos queridos Foals, os Whales encararam com bastante responsabilidade e solidez quase uma hora de concerto. Seguiram-se os portuenses 10 000 Russos, que convidavam ao headbanging com o seu rock psicadélico e o seu mais recente longa duração, distress distress (2017). O encerramento da noite ficou a cargo dos Throes + The Shine, com o seu RocKuduro que contagia os corpos e transforma qualquer pista de dança em festa. A banda promete para este ano o sucessor de Wanga (2016). Entre concertos, a Punch aproveitou para trocar algumas palavras com a organização, na pessoa do Daniel Pires.
Circuito Super Nova - Whales, 10.000 russos e Throes + The Shine [Março 2018]
Para quem não sabe ou anda mais distraído, o projecto Super Nova começou por ser uma série de sessões nos Maus Hábitos, no Porto! Portanto, a primeira questão que vos colocamos é, o que vos motivou a fazer com o projecto se tornasse itinerante e calcorreasse o páis de lés a lés?
Com as edições que já tínhamos feito no Porto, sentimos que havia espaço para uma iniciativa do género, que potenciasse a criação de uma rede de casas de música ao vivo, no país. Para os artistas emergentes, com qualidade, este tipo de iniciativas também são muito importantes, porque eles precisam de crescer, de ter experiência em diferentes palcos, e com o Super Nova conseguimos isso. Os artistas ganham, as casas de espectáculos ganham, trata-se de uma situação win-win!

Apesar de sabermos que a Super Bock sempre apoio a música nacional, como é que surgiu esta parceria?
A Super Bock propôs-nos uma parceria para um conjunto de noites com artistas emergentes, que decorreram ao longo de seis meses, no Maus Hábitos. O Super Nova foi uma sequência natural disso.

E os lugares do circuito? Foi algo pensado ao pormenor ou simplesmente fazia sentido o circuito aqui ou ali?
Na verdade, infelizmente não existem tantas possibilidades quanto isso, a nível de casas de espectáculos. Temos procurado ao longo do país e, embora consigamos ajudar quando as restrições são técnicas, através da nossa própria experiência enquanto produtores de espectáculos, não são assim tantas as casas disponíveis. Por outro lado, com o Super Nova, também chegamos a salas novas, bastante interessantes, que não conhecíamos à partida – o Ginjal Terrasse é um exemplo perfeito disso mesmo!

Com a quantidade e qualidade de bandas ancionais que surgem quase de dia para dia, acham que é preciso mais destas iniciativas ou o nosso mercado é pequeno de mais para isso?
São precisas mais iniciativas, sem dúvida, mas, acima de tudo, são precisas mais casas de música ao vivo! A triste verdade é que existem até capitais de distrito onde não existem casas de espectáculos preparadas para receber bandas ao vivo.

“Supernova. A explosão mais potente que ocorre no espaço. Descobri-la é uma raridade e o seu brilho é superior a 100 biliões de estrelas da galáxia” – Descrição bastante sólida e poderosa! Sabemos que qualidade, inovação e talento são algumas das características que vocês procuram nas bandas que ingressam neste projecto. Mas, acima disso, o que é que é preciso para uma banda ingressar numa tournée SuperNova?
Ao contrário da definição de supernova, nós não temos isso assim tão fechado. Sabemos o que procuramos e, sim, a qualidade, o conhecimento musical, são muito importantes. Move-nos aquela magia quando ouvimos certas bandas a tocar, queremos alimentar esses talentos!

Quase a chegar ao fim desta edição qual é o balanço que podem fazer?
O balanço é hiper positivo! Confirmámos a utopia da rede de contactos ao nível das casas de espectáculos, que está em crescimento. Conhecemos novos espaços, conhecemos o nosso país, ajudámos estas bandas a crescer – os espectáculos que eles estão a dar hoje são diferentes dos que deram no início da iniciativa, estão mais confiantes, falam mais, sentimos que esta experiência que proporcionámos foi muito importante para eles!

Os três concertos que acontecem hoje são de universos bastante diferentes e peculiares, fazendo com que cada um tenha o seu nicho de público próprio! O conceito de Super Nova está interligado com a diversidade musical, reunindo pessoas e gostos diferentes no mesmo espaço?
Sim, completamente. Achamos que faz todo o sentido esta mistura de nichos, especialmente porque estamos a “jogar fora de casa”. Assim, trazemos diferentes públicos, que podem ser agradavelmente surpreendidos por outros artistas que não foram os que ali os trouxeram, à partida. Proporciona públicos mais interessantes, precisamente por serem diversos.

Para quando a próxima sessão e qual é que vai ser o próximo “trio de ataque marabilha”?
Bem, ainda não podemos revelar as bandas, mas a data já está fechada: dia 17 de Abril, no Maus Hábitos!

Texto: Andreia Duarte
Fotografia: Joana Viana

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