O último ano foi de viragem para os Them Flying Monkeys. Lançaram o primeiro longa duração, Golden Cap, as suas músicas passaram nas rádios, deram concertos pelo país inteiro e começaram a escrever um novo álbum, a sair ainda em 2018. Nas próximas Punch Sessions, já no dia 24 de Março, serão os  Them Flying Monkeys a trazer notas de rock psicadélico ao palco do Titanic Sur Mer. Todas estas foram razões mais que suficientes para a Punch ter uma conversa animada com os cincos rapazes que compõem  esta banda.  

Enquanto banda conseguiram alcançar aquilo que queriam, no ano de 2017?
Luís Judícibus [LJ]: Acho que 2017 correu bem no geral, mas não sei se conseguimos alcançar os nossos objectivos. Um dos grandes objectivos era  fazer aquilo que não conseguimos fazer com o EP, e chegarmos a sítios onde não chegámos. Só o facto teres um álbum atira-te para um monte de sítios novos.
João Tomázio [JT]: A expectativa geral que tínhamos para o disco foi cumprida: a recepção da crítica, fazermos os concertos que queríamos.
Hugo Luzio [HL]: O concerto de apresentação, no Musicbox, correu super bem. Estava cheio! Foi logo a seguir ao lançamento do disco e foi uma surpresa para nós. Também fomos a alguns festivais.

O ponto mais alto do ano foi a edição do vosso álbum Golden Cap. Este foi bem recebido?
JT: Sim, ainda agora no final do ano, vários blogues e várias revistas, ao fazerem um apanhado dos discos do ano e das músicas do ano, referiam-nos. Por isso, para quem analisa e quem faz as críticas foi bem recebido. Por outro lado, quem não escreve e não tem uma opinião assim tão especializada também gostou. De um modo geral foi bem recebido.
HL: Houve sobretudo um feedback positivo ao vivo. O disco funcionou muito bem ao vivo e as pessoas que ouviam o nosso concerto tinham uma boa experiência.
LJ: Outro sinal foi no final do concerto as pessoas gritarem “toca a Molly!” ou ouvias o pessoal a cantar a “Molly”.

Foi difícil que o vosso álbum tivesse impacto e gerasse algum buzz  online, na rádio e na imprensa?
LJ: Foi mais fácil do que com o EP.
Diogo Sá [DS]: Tivemos uma boa equipa de promoção a trabalhar para nós. Foi o Gonçalo Lopes que trabalhou connosco na promoção deste disco. Foi uma grande ajuda para chegar às rádios, onde ainda não tínhamos chegado e queríamos muito.
HL: Claro que ter o disco editado pela Sony também fez a diferença.

Vocês seguem a linha do rock psicadélico. O que é que vocês têm diferenciador, em relação às outras bandas que tocam o mesmo género?
HL: O que é diferenciador é que nós temos duas caras que estão muito presentes, tanto no EP como no disco, e também vão estar no novo disco. Uma é mais tensa, mais negra, mais pesada, outra, simultânea, é muito melódica, por cima de peso harmónico que nós construímos. São duas facetas muito definidas que eu, pessoalmente, não vejo em muitas bandas de rock psicadélico.
LJ: Uma banda que é rotulada como rock psicadélico, mesmo que depois tenha um disco não tão virado para esse lado, fica sob o mesmo carimbo. Como consequência, é tudo conotado com as mesmas coisas. Agora sofre-se de um estigma/patologia, se é psicadélico é Tame Impala ou Capitão Fausto. Se estivesses no Brasil, se é psicadélico então é Boogarins.
HL: O mais engraçado é que as pessoas adoram Tame Impala, mas tu seres parecido com eles é mau. Por exemplo, nós usámos metais no último disco, na música “Blissful”. Há uma parte que é muito parecida com o que os Capitão Fausto fizeram no último disco, mas a nossa parte foi escrita antes desse disco sair. Nós nunca tínhamos ouvido aquilo.
JT: Mas eles também não tinham ouvido o que nós tínhamos feito (risos)!

Em 2016 vocês venceram o EDP Live Bands. Esse foi o empurrão necessário para se lançarem como banda?
Francisco Dias Pereira [FP]: Outra coisa que nos dizem que a gente não gosta. Não, estou a gozar (risos)!
JT: Não foi (o empurrão) necessário, mas foi muito importante e ajudou-nos. Foi uma boa rampa de lançamento.
FP: Acelerou o processo, sim.

O que é vos deu mais prazer ao fazer este álbum?
LJ: Uma das coisas que me deu mais prazer foi o facto de ter sido composto por todos. Havia bases feitas pelo Hugo, outras que partiram de jams de dois ou três. Foi um disco que partiu de todos.
HL: O disco foi composto em casa dos meus avós, na zona mais saloia de Sintra, junto ao mar. Foi um processo muito giro. Nós fizemos as prés do disco lá, para mim foi especial.
JT: Todo o processo de gravação, que foi no Black Sheep Studios. Foi muito especial.

Qual foi o melhor concerto que deram em 2017?
JT: Em Lisboa, a jogar em casa, com os nossos amigos lá.
DS: O Musicbox foi mesmo o culminar, nós já andávamos em stress a ensaiar há imenso tempo. A malta andava doente a ensaiar, duas a três vezes por dia, se fosse preciso. Depois acabou por correr muito bem.
LJ: O Musicbox teve uma coisa fixe, estivemos num bar com muita gente, foi um grande concerto. O último ensaio antes do Musicbox acabou super mal. Uns estavam chateados, outros estavam doentes, aquilo estava a correr mal. Ensaiámos a semana inteira porque o João Tomázio tinha ido para Andorra, para a neve, e quando voltou tivemos que batalhar nisso. O ensaio acabou, as duas últimas músicas não as tocámos, porque dissemos “estamos podres, vamos dormir, amanhã vai correr bem”. Por outro lado, em festivais, o melhor foi o Indie Music Fest.
HL: Para mim, pessoalmente, foi o Indie Music Fest, foi especial por outros motivos. Fomos para o norte, para o maior festival que tivemos naquela tour. Chegámos lá tocámos à noite, no palco secundário, com muita gente a ver.

Qual foi a música que resultou melhor em concerto?
JT: A nível de execução talvez tenha sido a “Random Request”.
LJ e FP: A “Molly”.

Se pudessem escolher um festival no mundo para tocar qual seria?
DS: Glastonbury.
LJ: Esta resposta é mesmo rápida!

Sentiram que evoluíram como banda neste último ano?
LJ: Muito, mesmo muito. Eu acho que o que te faz evoluir e ganhar experiência é tocar ao vivo.
JT: Nos últimos dois anos demos entre 60 a 70 concertos!

Vocês têm uma sala de ensaios que se chama Penca. Porquê esse nome? E qual significado desse espaço para vocês?
FP: A penca é onde estão os macacos. Aquilo era um sitio inóspito, uma garagem húmida, desconfortável. Nada isolada a nível de som.
HL: Sim é um sitio especial, passamos lá muito tempo.
JT: Tem um som próprio. Tu ouves uma gravação, sabes que é de lá.
LJ: Depois começámos a ter lá ratinhos.
FP: Aí começámos a pensar que temos mesmo que sair dali.

Há algum sitio que passaram que tenha sido uma surpresa, pela reacção do público?
FP: Em Vila Pouca de Aguiar
HL: Leiria também foi muito fixe.
JT: Acho que Évora, no SHE (Sociedade Harmonia Eborense). Foi no dia em que o Salvador Sobral ganhou a Eurovisão, só entrámos em palco quando soubemos o resultado.

Nos videoclipes de “Molly” e “Halos” tiveram a Leonor Bettencourt Loureiro como realizadora. Como é que correu essa colaboração? E qual foi a inspiração para esses dois vídeos?
DS: Para nós foi super fácil trabalhar com a Leonor, foi um processo bastante simples. Ela é super competente. É super fixe trabalhar com ela.
HL: Nós falámos com a Sara Feio para nos fazer os grafismos. A Sara conhecia a Leonor e aconselhou-nos.

Vocês já estão a preparar o segundo álbum, para sair ainda este ano. Porque é decidiram editar um segundo disco tão próximo do primeiro?
LJ: Acho que há vários factores. O primeiro é não conseguirmos estar quietos. Numa altura em que está tanta coisa acontecer a nível musical, em que há tanta oferta, se tu páras…
HL: Morres!
JT: És esquecido!
HL: O primeiro disco demorou muito tempo a ser produzido. Quando tu demoras um ano e meio, chegas ao vivo e já sentes que tens outras coisas para dizer, outras formas de expressão e de pensar sobre a música. Então, compôr um outro disco fazia sentido agora, porque já estamos diferentes.

Quais os desafios para este novo disco?
LJ: Sair de palco e as pessoas não dizerem “é um bocado Tame Impala!” (risos).
FP: Em primeiro lugar, é aprofundar uma linguagem própria.
JT: Vincar um pouco a nossa personalidade.
LJ: Acho que ser mais genuíno.

Houve algum erro que tenham cometido, no começo de banda, que  desejassem não tivessem cometido?
LJ: O Chico na banda foi um erro muito grave (risos).

Que conselho deixam para as bandas que estão a começar?
HL: Eu daria um: tenham cuidado com o som. Preparem bem o processo todo, em todas as vertentes, não sejam displicentes em relação à música e ao som. Eu vejo muito da cena alternativa a dizer “quanto pior, melhor”.
JT: Informem-se sobre quem vos pode ajudar.

Quais os vossos objectivos para 2018?
JT: Lançar este disco que estamos a preparar.
LJ: Chegar mais longe, chegar a mais pessoas e continuar a dar concertos.
HL: Ir a Paredes de Coura.

Rodrigo Castro