Os Reis da República são seis jovens amigos de Lisboa e caracterizam-se por fazerem rock de liceu, despretensioso e eficaz. São liderados pela vocalista Madalena Tamen, a rainha do conjunto. O resto do grupo são os seguintes rapazes: Luís Ogando, Bernardo Sotomayor, Gonçalo Bicudo, José Sarmento e Tomás Lobão. A banda juntou-se em 2014 e desde então tem dado alguns passos, dentro das suas possibilidades, para conquistar o seu espaço. Lançou um EP em 2015 e um single em 2016.

O primeiro EP, lançado em Março de 2015, não tinha nome, mas as influências da banda eram óbvias. O rock português estava-lhes nas veias, com muita energia e melodias fáceis de acompanhar. Podemos identificá-los facilmente na família musical dos Capitão Fausto ou do Samuel Úria. No entanto, fazem música como se pertencessem à geração rock dos anos 80 ou 90, como os UHF ou os Ornatos Violeta. O seu estilo é cru e sentido, para pôr os amigos a dançar e depois seguir numa noite sem fim.

O seu EP de apresentação trouxe-nos cinco faixas com muito ritmo. As duas músicas que se destacam mais são “Máscaras de Carnaval” e “Pedro e o Monstro”. A primeira mostra alguma cumplicidade entre a banda e uma boa dinâmica de grupo. O segundo tema é mais simples, mas resulta melhor como um todo. O resto do EP consegue mostrar alguns apontamentos interessantes, mas que ainda não estão bem desenvolvidos. Em “Dia Seguinte” e “Flores e Festas” conseguimos perceber que são músicas bem feitas, mas a lógica repete-se um pouco. Na canção “L’enfant Sauvage” arriscam num tema instrumental, mas que ainda não tem força suficiente para algo do género. O EP é coerente entre si e percebe-se por onde a banda quer ir, contudo há ideias que podiam estar mais desenvolvidas e outros caminhos explorados.

Desde esse trabalho, os Reis da República só partilharam mais uma música, “Samurai”. Trata-se de um tema leve e que não esquece aquilo tinham feito anteriormente. Muito ao estilo dos The Strokes, a música resulta e fica no ouvido. Além de ter um visual forte, este single mostra uma vertente mais irónica da banda, muito ligada ao mundo da internet, de como as pessoas reagem aos vídeos ou aos memes. Muitas bandas alimentam-se desse lado mais cómico e provocador. No teledisco que acompanha esta música percebemos que os Reis gostam de usar a sua comicidade e divertirem-se com a música que fazem.

Desde então, não sabemos mais da jovem banda de Lisboa. Têm tocado sobretudo na capital, mas sempre esporadicamente. Se vão tocar ou lançar algum trabalho novo, não sabemos. Os fãs têm de se contentar os seus fugazes aparecimentos e ter esperança que os reis venham animar o seu povo em breve.

Rodrigo Castro