Os Vaarwell são um trio composto por Margarida Falcão (Golden Slumbers), Ricardo Nagy e Luís Monteiro. São de Lisboa e já tocam juntos desde 2015. Talvez por querer incorporar um espírito mais austero e nórdico, esta banda baptizou-se de Vaarwell, que significa adeus, em Afrikaans. Ouvindo o EP e o álbum, percebemos que há um ambiente sombrio que envolve toda a música dos Vaarwell. Umas vezes são memórias, outras são histórias de pessoas que partem, ambas com personagens enigmáticas. Nem sempre é fácil decifrar o que está a ser contado, mas percebem-se os sentimentos e o intuito das músicas apresentadas. Trata-se de melancolia, que ora é explícita, ora é mais difícil de decifrar.

O primeiro EP foi lançado em 2015, com o título Love and Forgiveness. Esta primeiro amostra é composta por cinco temas, sendo que a primeira faixa, “Love and Forgiveness (Intro)”, é um tema introdutório em modo de spoken word, simples e curto. Este tema abre para “Branches”, que é a música que dá mais colorido ao EP. Apesar de tudo, a música que chamou mais outros ouvidos foi “Perfectly Fine”, destacado pelo site americano Stereogum, quando o respectivo vídeo saiu. No total, trata-se de um EP simples, mas que revela quem são os Vaarwell e o que querem transmitir com a sua música.

O primeiro álbum dos Vaarwell, Homebound 456, saiu em 2017. Este dá continuação ao trabalho que vinha sendo feito no EP, mas agora com uma produção mais cuidada e um pouco mais de profundidade. O tom confessional é algo que vai pautando o álbum e este nunca abre a mão desse lado mais pessoal.  O primeiro single foi “YOU”, música que mostra muito a força de todo este trabalho e é um dos temas mais representativos dos Vaarwell. Mais uma vez, fala de alguém com que se partilha algo pessoal e íntimo, e como essa partilha tem peso na relação entre duas pessoas, seja uma relação de amizade ou amorosa. Também a música “I Never Leave, I Never Go” remete um ambiente de certa maneira pesado, onde parece não haver grandes saídas. “This weight on my shoulders never leaves, never goes”. Apesar de haver esta carga negativa nas canções da banda, podemos sentir um lado mais sensual por parte da música que fazem. Se intencional ou não, é sempre complicado de dizer, mas é algo que se sente. O tema “Sheets” é o exemplo perfeito disso, onde se fala do toque, da pele ou do jogo de sedução. Estes dois mundos da tristeza e do romance são contrastantes, mas jogam bem um com o outro. Pegar nisso e fazer música é um desafio, mas a banda conseguiu fazê-lo sem parecer nem muito inocente, nem demasiado óbvio.

O mais recente tema dos Vaarwell é “Stay”. O single saiu neste mês de Março e trouxe uma nova sonoridade à banda, mais alegre e electrónica. A imagem da capa do single é a banda toda vestida de cor-de-rosa, o que é um contraste com o que era a banda na sua primeira versão, mais dark. “Stay” consegue transmitir uma energia mais positiva, mas sem perder a identidade da banda. A canção fala-nos de um misto de emoções de quando começamos uma nova relação.

Ao ouvirmos os dois trabalhos que banda lançou ficamos impressionados com a maturidade e profundidade que transportam com eles. Os sentimentos que transmitem têm um certo peso, que para as pessoas mais novas por vezes não é fácil transmitir e traduzir em canções. O lado cinzentão destas músicas sente-se, mas sentimos sempre a sua sinceridade. E isso, seja dito por alguém de 10 ou 90 anos é sempre mágico.

Rodrigo Castro