Que Lisboa é uma cidade que adora dançar, e com noites que duram até ao amanhecer, já todos sabemos. Mas, no passado fim-de-semana, deu-se a festa gorda da música de dança em Portugal. O Lisboa Dance Festival mudou-se para o Creative Hub do Beato e nós não podíamos faltar. Depois do grande sucesso das primeiras duas edições no LX Factory, o festival cresceu para cinco salas, com espaço livre que faria inveja a qualquer festival de verão. Techno, House, Funk, tudo e de tudo o que dê para dançar passou por ali.

A noite começou cedo, com Rastronaut a dar as boas vindas aos fãs mais impacientes. A música mais urbana, tropical e de ginga marcou presença na parte inicial da noite, com Shaka Lion e DJ Glue a seguirem o DJ da Enchufada. Grande set do veterano português na Fábrica do Pão, que merecia uma casa mais cheia. No entanto, como verdadeiro profissional que é, DJ Glue deu um espectáculo irrepreensível, com notas mais electrónicas do que o habitual, mas com espaço para clássicos e mashups, assim como malabarismos nas mesas de mistura. De DJ Glue e a sua mistura de hip hop e electrónica, seguimos para a sala Carlsberg, onde já actuava DJ Marfox. O mais antigo membro da Príncipe Discos está cada vez mais confiante, seja no palco, ou país, a que for. Batida forte e hipnótica, com ritmos africanos e psicadélicos que foram servidos para um público que contribuía com gritos, dança e apitos carnavalescos.

LDF'18 - Dia 1

Foi à justa, mas entre alguns empurrões e encostos, lá conseguimos chegar à frente do palco para o concerto de NAO. E que concerto foi este! A jovem inglesa, que tem vindo a encantar público e críticos, deu o grande concerto da noite. A sua mistura de soul, funk e R’n'B com nuances de electrónica não deixou pessoa indiferente, ou pé quieto. Foi grande a comunhão com o público e com a banda que a acompanhava. Apesar das muitas certezas que este concerto nos deu, uma dúvida permaneceu: porque não uma maior diversividade no cartaz?, com mais ondas e géneros musicais? Mais um grande concerto, mais um corrida. A grande quantidade de salas e concertos em simultâneo foi uma das coisas que mais nos agradou neste festival, mas tornou difícil a tarefa de quem quer ver tudo. Resta-nos admitir derrota e tentar aproveitar aqueles que conseguimos apanhar – e Romare foi um deles. Seja o que for que queiram chamar àquilo que o produtor americano faz, a verdade é que o faz muito bem. São incríveis as voltas e recriações que o elemento da Ninja Tune consegue fazer, de samples e de instrumentos menos convencionais. Um dos pontos altos do festival, sem margem para dúvidas.

Depois de algumas curtas paragens em Xinobi, Leon Vynehall e Monoloc, às duas horas em ponto estávamos no Hub Room, aguardando ansiosamente por Octave One. Miguel Torga alongou o seu set, e ainda bem, pois o duo americano não podia pedir por um melhor warm up. Entre aplausos e passos de dança menos conseguidos, o DJ português deu lugar ao duo de Detroit, que desde logo abriu a hostilidades. Techno de alta rotação, como já não se faz, mostrou que a idade nada mais é que um número, e que a experiência, sim, é um posto. Facilmente o concerto mais aguardado da noite, pelo que era difícil encontrar espaço para mexer os pés, mas não que isso impedisse fosse quem fosse.

Às quatro em ponto, deu-se por terminado o concerto de Octave One e com ele o primeiro dia do Lisboa Dance Festival. Fomos recuperar forças, porque sábado também foi dia! Não só de música vive um festival e a exposição residente do Biennial of Contemporary Arts (BoCA) Visceral Moments, abstracta e com vários meios diferentes, recolheu muita atenção, pela qualidade mas também por ter sido uma das apostas da organização do LDF’18, para dinamizar a experiência vivida em torno da música, mas também da arte, proporcionando um ambiente descontraído e variado.

Nuno Camisa
Fotos: Pedro Barata

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