Ainda com a batida do dia anterior a ressoar na cabeça, fizemo-nos sem medos e com as baterias carregadas à estrada. Como destino final, o Hub Criativo do Beato. Já com a sensação de que o bilhete de dois dias tinha valido a pena, enfrentámos o segundo dia do LDF’18 com ainda maiores expectativas e com alguns passos de dança a estrear.

Assim que entrámos, notámos logo que o ambiente já ia bastante bem encaminhado na sala GRILLAS, com Prins Thomas a actuar. A próxima coqueluche a actuar seria PEDRO e logo nos encaminhámos. Actuando na Pastelaria, uma das cinco salas destinadas aos concertos, PEDRO tomou de assalto a pista de dança, com batidas bem quentes de origem luso-africana. Com folhas de palmeira a ornamentar a mesa de mistura e a temperatura a subir, tudo indicava que estávamos no paraíso tropical da dança, ao som de Kuduro fundido com música eletrónica e a um ritmo alucinante. Muito aplaudido pelo público presente, foi um dos concertos que mais ancas pôs a mexer e que mais alegria espalhou entre “dançarinos”.

Experiência ou sangue novo? Que se Lixe, vamos mas é dançar – [Lisboa Dance Festival '18 - Dia 2]

Com alguma pena, abandonámos o concerto de PEDRO a meio e seguimos para Mirror People. Liderados pelo Rui Maia, apresentaram-se quatro elementos em palco, a um só ritmo. Teclados, bateria elétrica, baixos e sintetizadores acompanharam a voz distorcida que ecoou durante todo o hipnotismo que teve forma na Fábrica do Pão. Com uma bola de espelhos no tecto e a bateria a ressoar nos ouvidos, Mirror People mostraram que o seu electro-synth rock tem e merece presença nas playlists de muitos portugueses, mas também estrangeiros, que se deslocaram até àquela sala para os escutar e, acima de tudo, experienciar. Assim que os Mirror People deram a sua actuação como finalizada, apressámos o passo para ver o muito esperado MIDLAND, que marcou presença na sala GRILLAS, uma das maiores do LDF. MIDLAND apresentou o seu convicto techno numa velha cave e a adesão foi completa por parte do público. Potentes raios de luz faziam oscilar o ambiente daquela cave entre o exótico arroxeado e o acolhedor azulado, transformando assim esta performance em mais do que um concerto e elevando-a ao nível de experiência musical. Ocasionalmente recorrendo aos teclados e à percussão, MIDLAND apresentou diversidade e muito ritmo, tendo certamente satisfeito todos os presentes naquela sala.

Com direito a sala cheia, os Nosaj Thing apresentaram-se em palco, misteriosos e resguardados de qualquer luz neles próprios, sendo que apenas um feixe de luz roxo  atravessava a Fábrica do Pão. A música, essa penetrante e a tempos introspectiva, teve a atenção redobrada graças a esta manobra de focar as luzes fora do palco, remetendo os olhares e a atenção do público apenas para a melodia e para aquele intenso e cativante feixe de luz, que percorria a sala e guiava alguns olhares. Grandes sequências de teclados oscilantes, em fusão com uma voz subtil e atraente, tratavam de apimentar o ritmo controladissimo pela percussão, elevando o nível musical desta noite. O clima no ar era quase de oração e, para descontrair, nada melhor do que Joe Goddard, que trouxe o seu electro-space pop misturado com R’n'B até à emblemática sala da Fábrica das Massas, com um resultado único. À melodia aditiva do seu novo álbum, Electric Lines, juntou-se uma voz feminina, intensamente afinada e emotiva, que arrebatou alguns corações e muitos aplausos. O ambiente era de pura felicidade e admiração perante esta voz que se propagava pelo segundo piso desta antiga Fábrica de Massas. A acompanhar esta actuação, que deixava água na boca de tanto dançar, estava uma produção visual, que foi característica transversal do festival inteiro, composta por feixes de luz Hollywoodescos, fazendo-nos lembrar produções merecedoras de óscares, tal como os Star Wars. Uma viagem futurística por entre eras e influências musicais foi efetuada. Veredicto? O futuro é de dança, muita dança.

Xabregas e o Hub Creativo do Beato acolheram aquele que foi um dos concept-music fests mais bem conseguidos em Portugal nos últimos tempos e que mais água deixou na boca de quem foi e de quem não foi. Agora é carregar baterias, que a contagem decrescente para a próxima edição já começou e em 2019 é p’ra dançar!

Duarte Barreiros
Fotos: Joaquim Simões
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