Com o indie rock dos anos 2000 no sangue e Coimbra no coração, o quarteto transpira uma energia altamente positiva, contagiante, efusiva, festiva e cheia de personalidade… Os seus dois álbuns – Lalochezia(2016) e Woolgather(2017) são uma clara prova disso, onde nos apresentam temas com baterias frenéticas cheias de ritmo, riffs de guitarra absurdos bem trabalhados e uma voz sensacional que nos cativa desde o primeiro segundo. Antes da sua actuação nas Punch Sessions de dia 24 (este Sábado, com os Them Flying Monkeys e os Ditch Days) desafiámos os Flying Cages a desvendarem as músicas que já lhes marcaram a vida, alguns guilty  pleasures e ainda artistas que devemos ter em atenção.

Qual foi a primeira música que ouviste em repeat?
Bernardo Franco: Sempre fui de ficar colado a músicas que gosto. Já não me lembro bem da primeira que me ficou na cabeça durante semanas, mas talvez a “November Rain” dos Guns n’ Roses. Teria uns 10 ou 11 anos quando ouvi a primeira vez.
Rui Pedro Martins: A banda sonora das minhas memórias de puto é a colectânea Câmara Lenta dos GNR, presença obrigatória no carro do meu pai. Não sei se houve alguma viagem em que não tenha tocado “O Slow Que Veio do Frio”.
Francisco Frutuoso: Desde miúdo que fui induzido a ouvir música portuguesa. tanto em casa como em “campos de férias”. Lembro-me de ser puto e passar tardes inteiras a cantar vezes e vezes sem conta a “Canção dos Abraços” do Sérgio Godinho, provavelmente a primeira de muitas que ouvi em repeat.
Zé Costa:“Touch Me” – The Doors. Provavelmente a música que levou mais tempo até a saturação (que, na verdade, nunca chegou por completo). Versos e instrumentais clássicos e poderosos desta banda imortal, com um refrão glorioso.

A música que vais ouvir para todo o sempre?
Bernardo Franco: Espero que várias, porque são incríveis. Destaque para três que ouço há já bastante tempo: Kavinsky – “Testarossa Autodrive”; The Vaccines – “I Always Knew”; Memória de Peixe – “Fishtank”.
Rui Pedro Martins: O Only By The Night dos Kings of Leon foi talvez o primeiro álbum que me bateu, andava no 8º ano. Acho que foi a primeira vez que senti aquela sensação de imersão a ouvir música. Vai conseguir sempre sugar-me para o mood em 2 segundos. Há 3 que ouvi imensas vezes: a “Revelry” (grande baixo), a “17″ (os sinos eram escusados) e a “Be Somebody” (não a “Use Somebody”, atenção).
Francisco Frutuoso: As duas perguntas que se seguem são difíceis de responder, até porque considero que uma implica a outra, por isso a resposta a cada uma delas isoladamente aplica-se a ambas. À primeira respondo “My Favorite Things” do John Coltrane, penso não ser necessário explicar porquê, basta ouvir.
Zé Costa: Lou Reed – Walk on the wild side. Sempre que me farto de ouvir algum álbum/música, volto sempre a esta música. Simples, romanceada e até sarcástica, talvez. Dá para respirar.

Uma música que gostasses de ter escrito?
Bernardo Franco: Tantas. Talvez a “Tell me (What’s on your mind)” dos Allah-Las. Música simples mas que é incrível.
Rui Pedro Martins: Tenho esses pensamentos habitualmente com hits em hipermercados mas nunca apontei porque nunca pensei ter de responder a esta pergunta. Penso muitas vezes que gostava de acordar na década de 60 e fazer uma banda com as minhas músicas favoritas desde essa altura até agora. Ainda são umas quantas…
Francisco Frutuoso: À segunda, a “Introdução e allegro para harpa, flauta, clarinete e quarteto de cordas” do Maurice Ravel. Tanto uma como a outra me foram introduzidas (com ouvidos de ouvir) pela mesma pessoa em experiências idênticas, as duas ficarão para sempre.
Zé Costa: ”Wish You Were Here” – Pink Floyd. Em poucos versos, é uma letra impactante que cruza a intervenção com a nostalgia. “Did you exchange walk on part in the war for a lead role in a cage?” (…) “We’re just two lost souls swimming in a fish bowl year after year”. Sempre me deu uma forte ideia de revolta assumida com simplicidade.

A música que define a tua juventude?
Bernardo Franco: É muito mau dizer “Bad Kids” dos Black Lips? Ou talvez “LSF” dos Kasabian, pelo enorme concerto que deram em Paredes de Coura (2012).
Rui Pedro Martins: “On The Other Side’” dos Strokes. Nem foi preciso pensar esta. Foi a música que me converteu ao maravilhoso universo da cena indie.
Francisco Frutuoso:“Mellowship Slinky in B Major” dos Red Hot Chili Peppers. O momento em que comecei a tocar guitarra foi um ponto de viragem na minha vida. Na altura comecei a ter aulas na escola Sítio de Sons, em Coimbra, e um dos gajos com quem mais tocava era viciado em Red Hot, escusado será dizer que me incentivou ao mesmo. A “Mellowship Slinky in B Major” foi A música deles que sempre quis tocar ao vivo mas por alguma razão nunca aconteceu.
Zé Costa:“Beetlebum” – Blur. Apesar de não ser a música que mais ouvi, foi claramente uma das quais me despertou a orientação para procurar mais rock feito entre 90′s e 2000. E, consequentemente, mais de Blur.

A letra de uma música que te inspire?
Bernardo Franco:“The Dreamer” – Tallest Man on Earth. Por retratar que as coisas más da vida ajudam a que as melhores saibam ainda melhor.
Rui Pedro Martins: Há pouco tempo comprei por 5€ um CD com demos do António Variações para finalmente ouvir com atenção. Fiquei rendido com a intemporalidade das letras. A letra da “Olhei P’ra Trás” sintetiza o espírito.
Francisco Frutuoso: “Canto de um Povo de um Lugar” do Caetano Veloso. Foi o meu despertador durante muito tempo. Transmite-me uma certa imagem de harmonia, tranquilidade e natureza. Simultâneamente simboliza dos “10” dias anuais em que sou mais feliz.
Zé Costa: É um clássico fácil, mas vou atirar para Bob Dylan com “Blowin’ in the wind”. É uma letra que trepa pelos versos e que – quase como a amortecer todas as perguntas – culmina numa afirmação que é, de facto, uma dúvida.

5 músicas de novas bandas que não paras de ouvir e que nós devemos ter em atenção?
Bernardo Franco:
Mild High Club – “Windowpane” - Desde o início ao fim esta malha deixa-me completamente focado no que estou a ouvir. Principalmente pela linha de baixo.
El Señor – “Dragging Smiles” - Dias solarengos são sempre bem recebidos. Principalmente por malta fixe de Fafe.
Marvel Lima – “Strange Perceptions” - Rock psicadélico latino vindo do Alentejo. Desde que saiu o álbum que é presença constante em qualquer viagem.
Lazy Faithful – “There Was a Light” - Boa malha que dá todo o prazer ouvir. Incríveis ao vivo!
Savanna – “Safari” - Fod*-se. Ouçam isto ao vivo. É impossível não gostar.

Rui Pedro Martins:
Clubtail – “Strawberry Blonde” – É a faixa de estreia do João Pedro, amigo meu de Chaves (Xabx). Esta tenho a certeza que ainda não conhecem.
George Marvinson – “Middle Tooth” - Nosso bro dos Savanna (mas esses já têm obrigação de conhecer). Também gosto muito da “Saicão”.
Ele sai-se bem nos instrumentais.
Hermigervill – “Harlem Reykjavík” - Quando visito um país gosto mais de procurar a música de lá do que as atrações turísticas.
Madeline Kenney – “Delicate” - Da editora do Toro y Moi, artista cujo trabalho sigo de perto. Gosto da simplicidade da música dela.
Vynil Williams – “Riddles Of The Sphinx” - Psicadelícias de LA.

Francisco Frutuoso: Não aconselharei músicas mas sim bandas…
Pinhata, ainda não saiu do forno mas está para acontecer em breve. É-me difícil defini-la por palavras.
Defrosted Pork Chops, também ainda por abrir, mas pelo que já ouvi das gravações de estúdio vai bombar.
Ka Barid, fui ver ao Salaão Brazil na tour de apresentação do Sapropelic Pycnic e fiquei estupidamente impressionado pela sua peculiaridade. Algo de onde tenciono tirar algumas ideias, sem dúvida.
Cassete Pirata, lançaram quatro músicas no ano passado e já estão a dar muito que falar. Admito que ao início não achei nada de mais, mas acabou por se tornar das bandas que tenho no cartão de memória.
George Marvinso, um dos compinchas que conheci na Pontiaq. Caso se perguntem como ele é pessoalmente, o álbum é espelho do mesmo.

Zé Costa: Sou bastante inculto e desatento no que diz respeito a música nova. Portanto, algumas serão já bem conhecidas:
Allah-Las – “Catamaran” | Twin Peaks – “Mind Frame” | Black Honey – “Hello Today” | Catholic Action – “L.U.V” | Palm Honey – “You stole my blackout”

Punch Redação