Os Ditch Days, cuja sonoridade nos transporta imediatamente para paisagens californianas ou australianas, produzem temas pop, carregados de reverb e fuzz, sustentados por linhas de baixo preocupadas em ficar no ouvido, teclados maviosos e samples emprestados de filmes e séries antigas, algo nostálgicas. Prova disso é o seu primeiro álbum, Liquid Springs, um cativante e exploratório guia de viagem musical que nos aguça a imaginação, onde o Sol e a Primavera nos invadem por via de uma sonoridade radiosa, envolvente e refrescante. Antes da sua actuação nas Punch Sessions de dia 24 (este Sábado, com os Flying Cages e os Them Flying Monkeys), desafiámo-los a desvendarem as músicas que já lhes marcaram a vida, alguns guilty  pleasures e ainda artistas que devemos ter em atenção.

Qual foi a primeira música que ouviste em repeat?
Guilherme Correia: Gorillaz – “Feel Good Inc.”
Lembro-me de eles virem a Portugal nos MTV EMAs de 2005. Calhou naquela altura de comprar o primeiro mp3, e no meio de Black Eyed Peas, Green Day, Avril Lavigne, Kanye West e por aí, o Demon Days dos Gorillaz era dos que mais ouvia, e a “Feel Good Inc.” das mais viciantes.
Luís Medeiros: Song of Jigglypuff” – Pokemon
Sempre adorei a melodia hipnotizante. Parece que a Megumi Hayashibara fez um bom trabalho.
Zé Crespo: “Breaking the habit” – Linkin Park
O meu irmão tinha o disco e estava sempre a tocar no quarto.
Rafael Tranquino: “Stan”, do Eminem com a Dido.
O videoclipe chamava sempre a atenção quando passava na televisão e, quando a minha irmã comprou o CD, nunca me fartava de a ouvir, por ser tão cinematográfica.

A música que vais ouvir para todo o sempre?
Guilherme Correia: Strokes – “Hard to Explain”
Provavelmente a minha preferida da minha banda preferida de sempre.
Luís Medeiros: “Shine on you Crazy Diamond” – Pink Floyd
Perfeita, do início ao fim.
Zé Crespo: Ride into the sun” – Velvet Underground
Descobri a música num disco de raridades de Velvet Underground e tem uma das minhas linhas de guitarra favoritas.

Rafael Tranquino:“Sultans of Swing” – Dire Straits (Alchemy, live)
Uma malha herdada pelo meu pai. Continua a bater-me como se fosse um miúdo a descobrir os solos de guitarra.

Uma música que gostasses de ter escrito?
Guilherme Correia: Blur – “Coffee and TV”
Se os Strokes forem mesmo a minha banda preferida, os Blur são a segunda. O Graham Coxon é o guitarrista que mais me influenciou e tudo nesta música é perfeito: da canção pop de acordes redondinhos com letra auto depreciativa aos leads de noise e ao solo brilhante que mostram que o guitarrista dos Blur é um dos mais interessantes de sempre.
Luís Medeiros: Gomo – “Feeling alive”
Tantos arranjos, com tudo para dar mal. Mas dá bem, muito bem.
Zé Crespo: Sound of Silence – Simon and Garfunkel
A linha de voz sustentada pelas harmonias de Paul e Art é tão imediatamente atrante como a frase “hello darkness my old friend/ I’ve come to talk with you again”.
Rafael Tranquino: Na verdade, todo o álbum dos Cloud Nothings, Here and Nowhere Else, mas talve a “Just See Fear”. Toda a sua jarda noise do Attack on Memory é usada para sons mais emocionalmente pop, e inspirou-me durante todo o ano de 2014.

A música que define a tua juventude?
Guilherme Correia: Arctic Monkeys – “I Bet You Look Good On The Dancefloor”
Uma das bandas que me introduziu ao mundo do indie e uma das que mais viciei. A “I Bet You Look Good On The Dancefloor” dava sem falta em todas as saídas nas minha primeiras noites de bairro alto, algures durante o nono ano, e ainda hoje a ouço frequentemente com os mesmos amigos de sempre.
Luís Medeiros: Green Day – “Jesus of Suburbia”
Porque me sentia super rebelde.
Zé Crespo: Aquele abraço” – Gilberto Gil
Todas os domingos o meu pai levantava-se mais cedo do que o resto da família e ouvia música brasileira muito alto no seu escritório. Acordei muitas vezes ao som desta música.
Rafael Tranquino: “When You Were Young” – The Killers
Era um adolescente melodramático, e os Killers encaixavam na perfeição. É uma excelente música, que mostrava a todas as miúdas por quem tinha algum tipo de paixoneta, porque podia ser que nos ligássemos instantaneamente. Nunca viria a acontecer.

A letra de uma música que te inspire?
Guilherme Correia: LCD Soundsystem – “All My Friends”
Quem melhor do que o James Murphy para nos relembrar que vale sempre a pena saber o que é feito dos nossos amigos?
Luís Medeiros: Helplessness Blues” – Fleet Foxes
Liricismo horizontal que aterroriza o mainstream.
Zé Crespo: “Gold Soundz” – Pavement
É possivelmente a minha música preferida.
Rafael Tranquino: “Papa was a Rodeo” – Magnetic Fields
Tremendamente bem escrita. Viajo anos a ouvi-la, e na sopa incrível que é o 69 Love Songs dos Magnetic Fields, esta é aquela rodela de chouriço que torna tudo perfeito.

5 músicas de novas bandas que não paras de ouvir e que nós devamos ter em atenção?
Guilherme Correia: Em vez de novas bandas, prefiro falar de bandas que tenha descoberto recentemente e que são novas para mim. Desde o surf punk australiano dos Skeggs e dos Hockey Dad, ao dream pop suave da Fazerdaze, passando pelos maiores bosses de sempre, os Twin Peaks, e por uns portugueses incríveis ainda por descobrir, os Echo The Yard.
Skeggs – “Spring Has Sprung” | Fazerdaze – “Bedroom Talks” | Hockey Dad – “I Want To Be Everybody” | Echo The Yard – “Shoretime” | Twin Peaks – “Shake Your Lonely”
Luís Medeiros: Um cocktail de cenas muito diferentes, todas elas para mexer o queixo para cima e para baixo.
Kali Uchis – “After the Storm”| King Gizzard and The Lizard Wizard – “Beginner’s Luck” | Beach Fossils – “Social Jetlag” | Orelha Negra – “Claire” | Beach House – “Lemon Glow”
Zé Crespo: As 5 músicas que ando a ouvir agora
Sports – “you are the right one” | Faye Webster – “I Know You” | Terry vs. Tori – “High Tide” | The Zephyr Bones – “I’ve Lost My Dinosaur” | Daniel Romano – “Ugly Human Heart pt. 2″
Rafael Tranquino:
Tommy Cash – “Pussy Money Weed” | False Heads – “Weigh In” | The Trouble Notes – “Catalonia Calling”| Quartoquarto – “poker” | Castilho – “Come Back”

Punch Redação