Há álbuns que sabem bem ouvir no carro a caminho da praia, numa descontração de verão. Dear Future é um exemplo disso. Ao terceiro álbum de originais, os The Happy Mess apresentam o verdadeiro álbum pop. A evolução da banda de Lisboa ao longo destes últimos anos tem sido positiva, dinâmica e de constante reciclagem. Ao ouvirmos os três álbuns, percebemos que há um fio condutor que os guia. A sonoridade consegue sempre ser diferente, mas ao mesmo tempo não foge aquilo que são os princípios da banda – fazer música que gostam e para um público variado.

Pela segunda vez seguida, a produção do álbum dos Mess fica a cargo de Rui Maia, o músico membro dos X-Wife e dos Mirror People. Se foi ele que introduziu a vertente mais pop nos segundo álbum, foi uma aposta ganha. Neste terceiro trabalho não deixou fora essa génese, que para o próprio Maia não é nada estranha. As músicas ganham mais cor e vivacidade. Isso nota-se sobretudo na produção e nos arranjos. O primeiro single que a banda partilhou, “Waltz for Lovers”, conta com a participação da cantora Rita Redshoes. É uma canção cheia de sentimento e cumplicidade. É isso que vemos entre os protagonistas do videoclipe e também entre Miguel Ribeiro e Rita Redshoes. Uma música de amor tem de ser assim, com alma,  com sentimentos contraditórios e bonita de se ouvir e ver.

Sentimento é o que não falta neste álbum. Sobretudo sentimentos positivos e a olhar para o futuro. Há duas músicas que falam sobre esta temática. “Stuck in the Future” aborda esta premissa temporal de um modo muito contemplativo, fala como lidamos com passado e o futuro e como isso nos afecta de uma forma gradual. Não é algo simples de explicar, nem de cantar numa música. Mas, eventualmente, é algo que nós pensamos e que nos ajuda a pôr a nossa vida em perspectiva. Em “Promissed Land” fala-se de um ideal, de um chegar a uma terra prometida, seja ela algo mais físico ou não. Em cada um de nós há um nós há sempre o objectivo de chegar ou estar num lugar, a nível material, pessoal ou espiritual. Um dos sentimentos que os The Happy Mess transmitem, no geral, é que estamos em tempos de mudança e de mudança constante. Eles sabem disso pelas suas experiências de vida, mas também pela maneira como encaram a banda. Não tiveram medo de mudar de álbum para álbum e souberam o que tinham a ganhar com isso. No fundo não ficaram presos a um passado revivalista. Conseguiram aprender com tempo e assim conquistaram o público e a critica. O disco fecha com “Long Goodbye”, um tema mais triste e com um sintetizador reconfortante. Dizer adeus tem um peso diferente aqui, mais uma vez um momento carregado de sentimento para digerir o passado mas, ao mesmo tempo, digerir o que vai ser o futuro, sem certas presenças ou certos momentos.

Os The Happy Mess dizem adeus, mas vão com certeza continuar a fazer música à sua medida. Dizer adeus é sempre esquisito, esperemos que os Mess não estejam preparados para isso, porque temos a certeza que eles têm muito mais músicas para nos dar.

Nota: 7.5/10

Rodrigo Castro