Se os X-Wife pudessem encarnar numa profissão ou numa personagem seriam sem dúvida um piloto de rallys.  Estão a sempre acelerar, são precisos e aventurosos. Ao quinto álbum de originais, a banda do Porto lança um álbum homónimo, que continua a fazer aquilo que banda faz melhor, músicas eficazes e cheias de vitalidade. Ao ouvirmos este novo trabalho ficamos com pica de os ver ao vivo e fazer uma grande festa.

Quem acha que os X-Wife tiveram parados desengane-se. Os três músicos que formam a banda não pararam de acelerar por outros trilhos. João Vieira esteve activo como Dj Kitten e White Haus. Rui Maia esteve ocupado com Mirror People, a passar música e produzir álbuns de outras bandas. Fernando Sousa esteve a colaborar como músico com outras bandas. Este álbum anda sempre em quinta e prego a fundo. Das músicas que foram dadas a conhecer em primeiro lugar temos: “Movin’ Up” e “This Game”. A primeiro canção foi lançada em 2015 e teve o privilégio de aparecer na banda sonora do FIFA 2016. De certo que animou os fãs do jogo durante longos torneios. A segunda música teve honras de ser o primeiro single. É o tema que abre o álbum e dá mote para uma viagem sempre no red line, sem paragens, e que nos leva por caminhos vertiginosos.

Todo este álbum é um carro bem afinado. Com influências do punk rock e electrónica do início dos anos 2000, este é sobretudo um trabalho eficaz e fica logo no ouvido. Para além das músicas mencionadas antes, há outros dois temas em destaque. Primeiro “Lucky Hour”, uma música muito festiva, cheia de vivacidade e que mostra uma boa comunhão entre os membros da banda. O segundo tema a surpreender, é sem dúvida, “Coconuts”. Uma música cantada em espanhol e muito bem conseguida. É ímpar e não vai deixar ninguém indiferente.

Depois de um grande hiato sem ouvir um longo duração dos X-Wife, este conjunto de canções soa muito fresco. O trio não tem medo de arriscar, mesmo nas curvas mais apertadas. A sensação que fica é que os X-Wife mantiveram-se fieis à sua identidade. A festa rock está-lhes na veia e a adrenalina de ter o volante na mão ainda não se esgotou.

Nota: 7.5/10

Rodrigo Castro