Os Arcade Fire são uma das maiores bandas da atualidade. Podemos dizer que, no geral, toda a gente gosta ou admira os absolutamente geniais canadianos. Ver um concerto da banda é receber uma explosão de felicidade hiperativa, que toma conta de nós e se propaga por toda a mente e corpo. Everything Now é o mais recente álbum da banda, e o Campo Pequeno Lisboa vai ser um dos palcos que vai receber a apresentação do disco, já no próximo dia 23 de Abril. Está esgotado, mas os felizardos que têm bilhete vão ter o privilégio de ver um dos que antevemos será dos melhores concertos deste ano de 2018 (e das suas vidas, também). Como não podia deixar de ser, para celebrar esta visita da banda, trazemos até vocês a nossa lista com as dez melhores músicas dos magníficos e notáveis, Arcade Fire.

“Everything Now”

O mais recente álbum da banda canadiana provoca-nos uma certa estranheza na primeira audição. Mas, após a segunda audição, o que nos era estranho começa a entranhar. E esta faixa retrata exatamente isso: primeiro estranhou-se, depois entranhou-se e, agora, podemos mesmo arriscar dizer que é uma das melhores músicas de sempre da banda. “Everything Now” é emotiva e tem uma letra que carrega um significado intenso, que nos toca a todos, ou tocará eventualmente, pois assim dita o ciclo da vida. Um ritmo alegre, para disfarçar a melancolia que as palavras carregam. Agridoce, talvez, mas bela. Vale a pena deixar em repeat.

“Afterlife”
Sente-se o coração partir, desde o primeiro segundo desta “Afterlife”. Mais do que a questão de haver vida após a morte, como sugere à primeira vista a canção, o que se deixa realçar é a falta de resolução para um relacionamento que está nas últimas, e que não ultrapassa a inevitável ameaça de morte. Incansavelmente, Win Butler repete que vai gritar e berrar até que uma solução dê certo. Mas nem tudo está destinado a resultar. A canção termina com a sensação dolorosa de que a distância conseguiu dominar e entranhar-se no relacionamento… lamentável.

“The Suburbs”
A faixa “The Suburbs”, remota-nos para um passado distante e juvenil. Mais precisamente, para a infância de Win Butler, passada num subúrbio de Texas. A nostalgia de um tempo que já passou marca vincadamente a canção e leva-nos a conhecer os medos e receios idílicos, de uma infância que já lá vai. A canção serve de introdução para os variados temas abordados ao longo do terceiro álbum de estúdio dos canadianos e aguça o apetite para o restante longa duração.

“Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)”
Régine é aquela mulher que se assemelha a um anjo, de aparentar ser tão frágil e perfeita. A sua sublime e encantadora voz é a protagonista desta canção, que nos guia e pede menos artificialismo e mais naturalismo e sentimentalismo. As luzes que nos apontam, por vezes, são tão ofuscantes que Régine pede simplesmente para a escuridão se fazer e ter uns momentos de paz e serenidade. “O mundo é assim tão pequeno que não conseguimos fugir da aglomeração?”, pergunta-se ela. Sim, o objetivo é mesmo ficarmos a pensar no assunto.

“No Cars Go”
Deslumbrante e brilhante. Fala-nos sobre todos termos um sítio especial e secreto, onde guardamos e depositamos os nossos sonhos e esperanças. É sítio para onde vamos quando queremos estar sozinhos, independentemente do estado de espírito, e sabe bem ter esse sítio só nosso. À medida que a canção vai avançado, a melodia entranha-se na nossa mente e damos por nós a regressar ao nosso lugar especial, que só a nós nos pertence. Os Arcade Fire sabem fazer magia como ninguém, a prova é “No Cars Go”.

“Wake Up”
A infância é um dos temas dominantes na obra dos Arcade Fire. “Wake Up”, para além de nos trazer lágrimas aos olhos logo nos primeiros segundos, traz-nos saudades da nossa rica e boa infância. Emotiva, nostálgica e em poucas palavras demonstra que a infância é o melhor período das nossas vidas. A banda diz que ser adulto não é bom, por ser um conceito totalmente sobrevalorizado, já que o nosso coração encolhe e as mágoas aumentam. Uma obra-prima autêntica. Quem disser que não se emociona a ouvir esta, é mentiroso.

“Neighborhood #1 (Tunnels)” e “#2 (Laika)” e “#3 (Power Out)”
Se esta trilogia de músicas não estivesse incluída nesta lista, não éramos nós verdadeiros fãs de Arcade Fire. São mais que essenciais. Começando pela primeira, “Tunnels” traz-nos um momento de romantismo emocional incrível. É sobre um casal que foge dos opressores subúrbios e aprende a crescer e enriquecer com amor. Porque, sem amor, a vida não é nada. “Laika” é visceral e, por sua vez, a melodia cativante faz-nos quase esquecer do quão negra é a letra. O Alexander que partiu para uma aventura para o bem dos vizinhos e que resultou na sua morte. O pai que gosta de arranjar confusão, para que os vizinhos possam dançar ao som das sirenes. A mensagem está à vista de quem a quer ver. Já “Power Out” é a mais potente e enérgica das três, e fala da tempestade de gelo de Montreal de 1998, que é usada como metáfora para o gelo que a sociedade tem no lugar do coração. Com esse gelo ao peito, não há espaço para sonhos nem esperança. Win e Régine dão a ordem para que se faça luz e o coração volte a substituir o gelo.

“Rebellion (Lies)”
“Rebellion (Lies)” faz parte de Funeral, o primeiro álbum da banda. A canção fala de fechar os olhos à realidade, seja porque razão for. Ou de nos cegarem e deixarmos que tal suceda, pelos mais variados motivos. O sono é usado pela banda como uma metáfora de um sedativo, que nos faz acreditar e seguir variados padrões, mesmo que não estejam certos. É uma pequena crítica, que diz que a sociedade segue cegamente modelos que nem sempre estão certos, incentivados por mentiras e medos. Que estão todos tão sedados que não conseguem entender a verdade. Às vezes é realmente mais fácil fecharmos os olhos à realidade. Os Arcade Fire dizem que chega. E chega.

“Reflektor”
É a faixa que abre o quarto álbum de estúdio da banda e, também, uma das mais importantes músicas dos Arcade Fire, já que conta com a colaboração do mestre David Bowie. Prometo que, se ouvirem com cuidado e atenção, é possível detectar a voz do génio. Fora isso, é uma canção que fala do modo como as redes sociais alienam as nossas relações com outras pessoas. Pensar que estamos mais próximos, porque estamos constantemente a falar através de um ecrã, não é necessariamente verdade. Por vezes é, nada mais nada menos, que uma mera ilusão do mundo moderno. Passe o tempo que passar, nada como mais contacto físico e menos ecrãs a separarem-nos. E os Arcade Fire concordam.

“Ready to Start”
Ninguém é de ninguém e mais vale só que mal acompanhado. Esta é a mensagem de “Ready to Start”, a música que nos inspira a largarmos tudo o que nos prende e a sermos donos de nós mesmos. Viver à sombra de alguém é algo que não se quer, e Win Butler reforça a ideia ao longo da potente canção. A guitarra dá uma pitada estimulante à canção e é garantido que esta é aquela que, quando tocada ao vivo, é para se passar o tempo inteiro aos saltos.

 

Alexzandra Souza