S. Pedro, além de nos dar chuva ou sol, também compõe um conjunto de músicas leves e com sabor a primavera. Este S. Pedro, também conhecido como Pedro Pode, e que já fez parte da banda doismileoito, editou recentemente o álbum O Fim. Um trabalho feito com delicadeza e cheio de pormenores interessantes. O músico português faz música a pensar na nossa língua, encontra soluções muito imaginativas nos vocábulos e nas letras, e carrega o espírito luso na sua música. O verdadeiro saltimbanco doce, que não esconde os seus verdadeiros sentimentos e é capaz de contagiar qualquer um que o ouve.


Ao ouvirmos o primeiro trabalho de S. Pedro ficamos com a sensação que ele está a tocar ao nosso lado, no nosso quarto. Há um aspecto acústico na sua música, que nos leva para um ambiente mais caseiro e pessoal. Essa é, de facto, a aura do álbum, um espaço íntimo em que autor conta um pouco sobre si, de quem é e um pouco das suas histórias e vivências.  Em entrevista à Antena 3, no ano passado, perguntaram se este persona tinha truques e ele respondeu: “…tentei fazer com que tudo fosse sincero, sem ter que fazer muito barulho para chamar a atenção.” – e sente-se essa sinceridade, sempre natural e nunca forçada.

O tema forte deste álbum é “Joaquim”. Com acordes de escola faz uma música bonita, simples, mas muito verdadeira. Também a canção “Que Azar” tem uma sonoridade peculiar, com instrumentos mais básicos mas que resultam muito bem, quando trabalhados de uma forma cuidada e pormenorizada. Todo este álbum tem esse condão de trabalhar bem com os sons simples, que fazem lembrar uma banda filarmónica ou os instrumentos infantis. Mas, depois, as letras criadas por S. Pedro dão um carácter mais adulto à música. Uma das canções mais refinadas nesse aspecto é “Amores de Inverno”, que nos transporta para um ambiente mais melancólico e frágil. Todo este álbum é um descobrir constante, onde cada canção nos revela algo novo.

Neste trabalho podemos ouvir um músico que já passou por muitas bandas de vários géneros, incluindo hip-pop ou metal, mas  que aqui se deixa revelar e dá um pouco de si. S.Pedro nunca nos deixa desarmados, há um conforto constante das suas palavras e a música leva-nos para um ambiente de paz. Para ouvir num parque ou no regresso casa, este álbum abre a porta a S. Pedro e ao seu modo de ver o mundo, com simplicidade e de forma terna.

Nota: 7.5/10

Rodrigo Castro

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