Nos dias 11 e 12 de Maio, a AEFBAUL apresentou, em parceria com os Anjos70, o Festival Queda. O festival bipartido surgiu com o propósito de juntar artistas já conhecidos do público português com ex-alunos da Faculdade de Belas-Artes com projetos musicais. Foram dois dias de festa, cheios de amigos e boa música, em ambiente caseiro.

#11 de Maio

O Festival Queda arrancou dia 11, no belíssimo pátio da escultura da Faculdade de Belas-Artes. A noite começou mais tarde do que o esperado mas, aos poucos e poucos, as pessoas foram chegando para viver uma noite marcada pela electrónica experimental. Foi uma noite de convívio entre os presentes com momentos mais calmos e de introspecção, ao som de projectos experimentais electrónicos numa vertente mais ambiental, pelas mãos de FARWARMTH e, mais tarde, VSO-OX, e momentos de dança e animação com funcionário e as cara//vag//yo. É importante destacar o último duo referido, por avivar a noite com um set que fez com que o público colocasse as vergonhas de lado, promovendo amor e alegria entre todos.

Entre a música, as danças, os copos e os novos amigos, as horas foram passando e, de repente, já era de madrugada e, eventualmente, fomos para casa recuperar as baterias para nos dirigirmos aos Anjos70, no dia seguinte, para um dia repleto de concertos.

Festival Queda 2018

#12 de Maio

Coube aos Paradoxo a honra de abrir a belíssima tarde de música nos Anjos70. O quinteto veio de Sintra para apresentar, entre amigos e alguns curiosos, o seu primeiro álbum Lado do Algo, assim como algumas faixas mais antigas. Com uma felicidade juvenil e contagiosa, a banda deixou-nos um cheirinho a verão e às aventuras que este traz: “Apanhamos a boleia, cela a voar/ Suspensos no tempo, relógio a avançar”. De seguida, entramos no mundo de Dada Garbeck – de pés descalços, o compositor e instrumentista fez-nos viajar pelas várias dimensões da sua vida, numa conecção transcendente entre o público e o artista. Com a sua timidez já familiar, Sallim subiu ao palco, acompanhada da sua fiel guitarra eléctrica, para encher o coração dos presentes. Marcadas por um dream pop à moda portuguesa, cada música representa um momento, uma angústia, um desejo… com a sua voz dócil e melosa, aqueceu as almas das dezenas de pessoas que se encontravam nos Anjos70 com temas do seu álbum Isula e outros tantos.

Filipe Sambado apresentou-se sem banda para um concerto intimista e descontraído, no qual tocou temas dos seus mais recentes álbuns, Vida Salgada e Filipe Sambado & Os Acompanhantes de Luxo. Com boa disposição e um à vontade característico, o artista até brincou com o público, fazendo uma alteração lírica ao single “Deixem Lá”: “E se eu parecer uma colher”. Sambado provou a sua relevância em termos sociais através da sua lírica, abordando temas como a discriminação sexual, racial e de género, em temas como “Dá Jeitinho”, “Indumentária” e “Deixem Lá”.

Festival Queda 2018

Pouco depois, foi a vez d’Ossos d’ouvido subirem ao palco. Surgem como um melting pot de culturas musicais, resultando numa maravilhosa experiência auditiva. Com uma guitarra, um baixo e uma bateria, estes jovens hipnotizaram e encantaram os presentes. Com Kerox fomos para o mundo de  fusão de beats experimentais e sons nostálgicos, até os Veenho se juntarem a ele, em palco. Aí, deixámos as misturas do mundo Kerox para entrar no garage rock do quarteto juvenil. Em menos de uma hora, fomos contagiados por uma enorme vontade de (verdadeiramente) experienciar a vida e a felicidade das coisas simples. Apresentaram músicas dos seus dois EPs (Veenho e Veeenho) com uma bateria sempre muito ativa e ritmos que se perpetuavam.

Vaiapraia e as rainhas do baile encerraram o cartaz… e que bela maneira de acabar. Tanto debruçado sobre o teclado como deitado aos pés da plateia, Vaiapraia, acompanhado pela bateria e guitarra, apresentou um punk reconstruido, marcado pelo seu não-conformismo. Apresentou mais de uma dezena de músicas do seu reportório, passando pelo “Coelhinho” , “Amor duro” e o estimado “Perfeito”. Saímos dos Anjos70 com versos em loop na cabeça, como é o caso de “Há momentos em que eu vejo o joey, o Joey Ramone a voltar e / com dois acordes ele faz de mim um rock star”.

Foram dois dias de muita, e variada, música, com direito a um intenso dance-floor no 1º dia de concertos, que deu lugar ao íntimo e caseiro Anjos70, que respirou música num 2º dia repleto de atuações. A edição de 2018 já passou, e agora só resta esperar pelo que o Queda 2019 nos pode trazer.

Texto e fotografias: Joana Enes