O primeiro álbum dos Vaarwell, Homebound 456, saiu em 2017. Este dá continuação ao trabalho que vinha sendo feito no EP, mas agora com uma produção mais cuidada e um sentimento um pouco mais profundo. O tom confessional é algo que vai pautando o álbum e este nunca abre a mão desse lado mais pessoal. Sem nunca deixar o seu dream pop de lado, a banda de Lisboa mostra um sofrimento que tem de ser sempre partilhado e daí saem bonitas canções.

O primeiro single foi “You”, música que mostra muito a força de todo este trabalho e é um dos temas mais representativos dos Vaarwell. Mais uma vez, fala de alguém com quem se partilha algo pessoal e íntimo, e como essa partilha tem peso na relação entre duas pessoas, seja uma relação de amizade ou amorosa. Também a música “I Never Leave, I Never Go” remete para um ambiente de certa maneira pesado, onde parecem não haver grandes saídas – “This weight on my shoulders never leaves, never goes”. Ao ouvirmos as outras músicas percebemos que há referências a lugares românticos, a despedidas e a encontros. Esse sentimento de que tudo é passageiro, instável e que nada está sob o nosso controlo passa para quem ouve os Vaarwell. Em “Terminals” lidamos com os sons dos aeroportos e das estações de comboios, esses espaços tão cinematográficos e cheios de representações sentimentais.

Apesar de haver esta carga negativa nas canções da banda, sentimos também um lado mais sensual na música que fazem. Se este é intencional ou não é sempre complicado de dizer, mas é algo que se sente. O tema “Sheets” é o exemplo perfeito disso, onde se fala do toque, da pele ou do jogo de sedução. Estes dois mundos da tristeza e do romance são contrastantes, mas jogam bem um com o outro. Pegar nisso e fazer música é um desafio, mas a banda conseguiu fazê-lo sem parecer nem muito inocente, nem demasiado óbvia.

Os Vaarwell são uma banda sensível na maneira como cantam, como tocam os instrumentos e como transmitem a sua realidade. Dão-nos uma visão triste do mundo, que não conseguem encarar de uma forma fácil. Mas, por vezes, as canções tristes servem para isso mesmo, para encarar o mundo seja ele fácil ou não.

Nota: 7.5/10

Rodrigo Castro