O trio composto por Margarida Falcão (Golden Slumbers), Ricardo Nagy e Luís Monteiro dá nome a este projecto incontornável do panorama dream pop nacional: os Vaarwell. Estes três lisboetas tocam juntos desde 2015, ano de lançamento de primeiro EP, Love and Forgiveness, onde cantam histórias de melancolia, ora desencontros, ora memórias do que passou, sempre com o intuito de nos envolver no seu som sombrio e enigmático.

A voz delicada da vocalista junta-se à eletrónica subtil para, em comunhão com uma bateria serena e uma guitarra usada para o essencial, nos apresentarem o sonho melancólico que é este Love and Forgiveness. Como não poderia deixar de ser, num grupo que habita este género musical, as texturas criadas têm tanta importância como o significado das suas melodias, contudo a epítome são as letras intimistas e de carácter muito pessoal de Margarida Falcão. Deixem-se levar pela introspeção da vocalista, pois a sua viagem interior promete levar-nos a visitar cantos esquecidos das nossas próprias memórias.

“Love and Foorgiveness (Intro)”
Este pequeno pedaço introdutório do EP de estreia dos Vaarwell envia-nos uma lindíssima mensagem sobre o amor e o perdão, enquanto somos embalados por linhas melódicas da guitarra suportadas por um piano. Somos colocados na pele de alguém que se encontra a passar uma fase menos positiva da vida, que conversa com este senhor de voz grave e serena. Ele diz-nos que há algo a que nos podemos agarrar, podemos chamar-lhe Deus ou outra coisa qualquer, mas que essa coisa nos dá forças para perdoar, e esse perdão é amor. Esta é uma mensagem muito forte, tendo em conta a situação mundial em que vivemos e abre-nos a porta para a intimidade dos temas que serão tratados nas restantes faixas.

“Branches”
Uma canção muito simples, embelezada pela voz angelical de Margarida Falcão, sobre o que o arrependimento faz mexer dentro de nós, tirando-nos clareza de pensamento, força para nos afastarmos ou até de nos sentirmos bem na nossa pele.

“Perfectly Fine”
O videoclipe desta música estreou-se na publicação americana Stereogum, blog de música fundado em 2002 e pertencente ao grupo da Billboard. Aqui mostram uma perspectiva muito real do que sente um coração. Não é a clássica “post break up song”, é o espelho de uma realidade mais crua e ambígua de uma separação.

“Won’t Let Go”
De longe o tema onde a guitarra elétrica de Ricardo Nagy mais se destaca, deambulando entre riffs mais alegres e pontuados e acordes dinâmicos com uma energia mais obscura. A parede sonora criada pela guitarra e a voz da vocalista, tanto mais sussurrante como mais ríspida, é uma clara demonstração da influência dream pop do grupo.

“Hope”
Mais uma evidência da vertente dream pop dos Vaarwell é a importância que dão às texturas sonoras que criam ao longo do seu trabalho, através da variedade de ferramentas utilizadas pela percussão, das camadas de som trabalhadas pela guitarra, dos momentos em que a voz nos é apresentada de forma mais ou menos “ao natural” até aos toques de sintetizadores que vão espalhando de forma bastante sóbria.

Francisco Botelho de Sousa