O mote estava lançado: tratava-se do nosso sétimo aniversário, que fazíamos questão de celebrar com um cartaz à altura. Sete actuações, mais de sete horas de música, não menos de sete razões para os nossos queridos leitores se deslocarem até ao Titanic Sur Mer, no passado dia 31 de Maio. Entre estreias, confirmações e um regresso mais do que esperado, levámos todos os presentes a vaguearem por universos sonoros tão díspares como o indie, a pop e a electrónica, acabando no clubbing. Tudo muito Punch! 

O projecto nasceu em 2011 com o intuito e a missão de dar as últimas novidades do mundo da música, fosse ela feita cá ou lá fora. Estabeleceu-se como um dos sites de música de referência, ao mesmo tempo que o mercado e a oferta musical foi aumentando e diversificando. Ao longo destes sete anos, o projecto cresceu e evoluiu, à mercê de todos os membros que ousaram partilhar um pouco (ou tanto) da sua melomania. Os eventos mais recentes (e aqueles que já se conjecturam para os próximos meses…) são prova do renovado fôlego e motivação da equipa para continuar a fazer o que a Punch sempre fez de melhor: divulgar música nova e de qualidade. E foi isso mesmo que a passada quinta-feira trouxe ao Titanic Sur Mer!

As honras do certame foram dos SLR, trio que fez a sua estreia absoluta em palco. Os SLR são uma banda pop e muito dreamy. Todos vestidos de ganga, fizeram uma actuação segura, sincronizada e muito profissional. Foram sobretudo eficazes. Bruno Moreira mostrou uma voz poderosa e um falsete muito afinado, que potenciou bonitos momentos de harmonias.  Além disso, mostraram referências lendárias, fazendo um cover de Prince. Foram sem dúvida uma boa surpresa ao vivo, especialmente tendo em conta que se tratava da sua estreia. E, daqui a uns anos, estes braggin’ rights de os terem visto ao vivo com a Punch, hein?!

De seguida subiram ao palco os Sease, também em trio de dois meninos e uma menina. Apresentaram um pop mais melancólico, inspirado em motivos marítimos. Sempre com uma consistência agradável, fizeram uma actuação sentimental e profunda. O EP Wave Motion foi editado este ano e mostra também uma banda virada para a música ambient, sendo o seu ritmo mais lento e contemplativo. Este inclui “Onda”, single de apresentação do EP, que os Sease trouxeram do mar de Oeiras até ao Titanic, arrancando passos de dança mais conscientes. É cativante esta mistura entre a fragilidade e a determinação que a banda imprime em cada uma das suas músicas, com a qual parecem querer levar o público a diferentes portos. Nós deixámo-nos levar.

7º Aniversário Punch - 31 de Maio [Titanic Sur Mer]

Para finalizar esta vaga de trios, os Vaarwell foram a banda que seguiu. Mais uma vez uma banda pop, mas de maior bagagem e com a voz espectacular de Margarida Falcão (que também faz parte das Golden Slumbers). Estes meninos no fundo cantam sobre maus momentos, mas fazem música para dançar, muito ao estilo The xx.  Entre músicas mais e menos recentes, partilharam connosco o seu novo single, “Stay”, que saiu em Março e vem em tons cor-de-rosa, desafiando o público com o mote da “única música não deprimente” que tocariam na noite, convidando todos a dançar. Este single é bonito, simples e um pouco (menos) tristinho, mas ainda muito à maneira dos Vaarwell. Será este um ponto de viragem para a banda?

Foi então que a noite virou para outros ritmos e para outra língua. Os Ciclo Preparatório, a cantar em português, eram os cabeças de cartaz e o Titanic aguardava ansiosamente a actuação deles. O rock-pop coral contagiou desde logo o público, no qual alguns membros sabiam as letras de fio a pavio. Com canções leves e que não deixam ninguém indiferente, a banda mostrou destreza, numa espécie de aquecimento para o que vai ser partilhado em breve. Neste concerto tocaram novas canções com ritmos mais rockeiros (e não, não estamos a falar da música de parabéns à Punch!), distanciando-se um pouco da pop mais leve que faziam anteriormente. O concerto foi curto e como é obvio quem estava presente queria mais, mas a programação tinha de avançar para o próximo artista. Estamos curiosos para ver (e ouvir!) o que os próximos meses reservam!

Casabranca, com ritmos mais electrónicos e dançáveis, não desiludiu. Produtor de música electrónica de Lisboa, lançou já alguns temas ao longo do ano passado e começa a dar agora o seus primeiros passos maiores. A sua actuação híbrida conta com guitarra, computador e sintetizadores. Os seus temas são totalmente instrumentais, mas bons para qualquer pista de dança. Com batidas fortes, Casabranca deu tudo para fechar a noite em grande, no palco, e passar o testemunho aos homens da cabine.

O nosso sentimento é de missão cumprida, que o carinho que recebemos dos artistas e as danças de olhos fechados que observámos ajudaram a cimentar. Tratou-se de mais uma Punch Sessions emotiva e longa, com muita música para dar. E contamos convosco para que a próxima ainda seja melhor!

Texto: Rodrigo Castro e Andreia Duarte
Fotografia: Iris Cabaça