O primeiro concerto da mini-tour portuguesa dos GANSO aconteceu no Titanic Sur Mer, no passado dia 8. Cerca de meia-hora antes do início previsto do concerto, já se começava a ver a multidão a juntar-se à porta do mítico espaço no Cais do Sodré. O concerto começou sensivelmente uma hora depois, já com uma plateia bem composta. Sou sincero, nunca tinha ouvido GANSO, nem nunca tinha estado naquele espaço a ouvir uma banda ao vivo. Não sabia o que esperar. Sabia apenas uma coisa: este era um concerto promovido pela Cuca Monga, uma editora com um portfólio bem jeitoso, de artistas fantásticos. A partir daí fui elevando as expectativas.

O concerto desta banda de rock livre começou com “Gansão”. Com este tema a banda ficou – de forma instrumental – apresentada. Um rock suave ao ouvido mas com personalidade. Algumas mudanças de compasso, tempo e instrumentos. Despertava-se, assim, o meu interesse. O concerto prosseguiu e a certa altura foi introduzido o convidado: Fernão Bilo (pelo menos foi o nome percebido, vindo de uma voz com um certo delay e reverb). Aos cinco elementos já existentes em palco juntou-se o sexto para tocar clarinete, e, mais tarde, saxofone – a “gaita de grande porte”, como foi apelidado o instrumento. Foi entre agradecimentos ao público (os Filhos de Torus), umas quantas piadas especialmente para os mais conhecidos da banda, e afinação de guitarras, que se chegou ao tema “Salamandra”, o último tema do álbum Cuca Monga Vol. 2, composto por GANSO e El Salvador, um side project dos Capitão Fausto.

Ganso [Titanic Sur Mer]

“Tanto Faz” foi o tema que se seguiu e trouxe a este concerto uma onda folk, talvez por influência do clarinete que se fazia ouvir ferozmente, dando uma nova cor ao ambiente rock instalado desde a primeira música. Este concerto foi também laboratório de experimentação dos Ganso para temas novos e, enquanto o “magnífico homem das gaitas”, Fernão Bilo, tirava a sua camisa, a banda prosseguia com “Tixa”, uma música que, espero eu, conste do próximo disco. Após o tema novo, eis que surge um clássico de maior interesse do público: “Lá Maluco”. Introduzido pelo álbum Costela Ofendida, de 2016, foi a preparação para o clímax musical que esta banda ia preparando. Seguiram-se os temas “Calafrio”, “Domingueira”, “Dança de Sabão”, “O Que Há Por Cá”, e a primeira parte deste serão musical começava a chegar à sua conclusão. Depois de, do início ao fim do concerto, ver a maioria do público a fazer um head banging num tempo perfeito enquanto dançava, o concerto terminava com “Pistoleira”. Este é um também conhecido clássico, que levou o “homem das gaitas” e Domingues Coimbra, baixista dos Capitão Fausto, a fazer um crowd diving alimentado pela ira frenética de um público em êxtase.

Os GANSO deram ao seu público – já habitual ou não – um concerto cheio de boa onda, divertido, nunca descurando a perícia musical.

Fotografia e Texto: João Conceição