No terceiro e último dia de festival, São Pedro deu-nos tréguas e brindou o passeio marítimo de Algés com uma magnífica tarde de sol. No percurso até ao recinto, passámos por muitos cartazes “Compro Bilhete”, mas os festivaleiros apenas se deixavam interpelar por uma cerveja fresquinha. Num dia dedicado a Pearl Jam por excelência, havia ainda curiosidade sobre a forma de Franz Ferdinand, Jack White e Alice In Chains, e espaço para MGMT e Real Estate.

Precisamente à hora marcada, os Alice In Chains tocaram os primeiros acordes no palco NOS, perante uma plateia tão extensa quanto temos visto em horas bem mais tardias. Donos de uma sonoridade mais pesada do que esta hora nos tem habituado, a experiente banda deu um concerto bastante sólido, com direito a guitarradas sentidas, afirmando “it’s good be back, it’s been a while!”.

Real State no NOS Alive '18

Ainda conseguimos aproveitar uns 45 minutos de concerto até fugirmos para o palco Sagres, onde nos esperavam sonoridades que nos lembram praia. Os Real Estate actuaram perante uma plateia que sabia bem ao que vinha, dançando descontraidamente perante as melodias estonteantes, construídas pelas guitarras, e as frases cantadas pelo vocalista Martin Courtney. Partilhando até músicas do novo álbum, que a banda está ainda a preparar, os Real Estate confessaram-nos gostar tanto de Lisboa que a sua estadia por cá iria durar uma semana – será que os conseguimos convencer a darem-nos banda sonora a um pôr-do-sol?! “It’s Real” (Days, 2011) resultou num encorpado refrão, com um afinado “Oh Whoa Whoa Whoa Oh Oh”, daqueles que tanto gostamos.

Franz Ferdinand no NOS Alive '18

No palco NOS já tocavam os Franz Ferdinand. Alex Kapranos foi incansável nas interacções e nos elogios à multidão, enquanto passeava de um lado para o outro e ensaiava saltos acrobáticos. Destacamos êxitos como “Walk away” (mais lenta, para resfriar os ânimos), “Ulysses” (de braços no ar perfeitamente coordenados), “Take Me Out” (em que a bateria vincada convidava a saltos energéticos) e a inquestionável “This Fire” (que convidou à loucura generalizada e foi cantada em refrão no coro). Os Franz Ferdinand estão em forma e recomendam-se!

Jack White (White Stripes, The Raconteurs) apresentou-se em nome próprio no palco NOS com o enorme desafio de anteceder a banda mais esperada da noite – os Pearl Jam. Por seu lado, Jack puxou das melhores notes das suas guitarras e brindou-nos com o seu rock revivalista, que nos lembra grandes nomes como Led Zeppellin. Num espectáculo visualmente muito rico, o artista teve a inteligência de dar primazia ao seu álbum mais recente, Boarding House Reach (2018), mas sem negar momentos marcantes da sua carreira, como “Steady, As She Goes” (The Raconteurs) ou “I Cut Like A Buffalo” (The Dead Weather). O concerto terminou com a aclamada “Seven Nation Army” (White Stripes) e, por esta altura, achávamos que era isso que nos ia ficar na memória desta noite quanto a Mr. White.

Mallu Magalhães no NOS Alive '18

A delico-doce Mallu Magalhães tocava no palco Sagres, com os seus ritmos quentes, que convidam à ginga. Com o seu jeito amistoso, tomava de direito as nossas atenções e conduzia a plateia pelas suas letras. E sim, havia público para encher este palco, também, apesar dos concertos que aconteciam em simultâneo. Pode falar que eu não ligo / Agora, amigo / Eu ‘tô em outra / Eu ‘tô ficando velha / Eu ‘tô ficando louca (da música “Velha e Louca”) foi cantada em coro, sem hesitações, perante o sorriso deslumbrado da cantora.

O concerto dos Pearl Jam começou com piano, para surpresa de muitos, e, por esta altura, ainda pensávamos nas três horas de concerto que a banda tinha dado há dias em Barcelona. Conscientes de que, há cerca dum mês, o incontornável frontman Eddie Vedder ficou sem voz e a banda cancelou a sua segunda noite por Londres (para além do facto de estarmos num festival), não fomos capazes de antever as mais de duas horas de êxtase conjunto que tínhamos pela frente. Ao longo do concerto (e copos à parte), Eddie apresentou-se extremamente conversador, ensaiou algumas frases em português (por mais de uma vez) e deu largas à sua veia intervencionista.
Das músicas da banda, destacamos “Even Flow” (que se prolongou até ao infinito) e “Jeremy” (que o público cantou a plenos pulmões), mas na verdade podíamos destacar muitas mais, tal foi o rol de músicas antigas e menos óbvias que este concerto proporcionou. Para além disso, assistimos também a momentos ainda mais inesperados, como o regresso a palco de Jack White (trunfo que se repetiria) para “Can’t Deny Me”, “Imagine” (John Lennon), tocada inicialmente apenas à guitarra por Eddie, e ainda a cover de “Comfortably Numb” (Pink Floyd). Quase tudo foi permitido (e elogiado) nesta noite de comunhão entre a banda e o público. A inevitável “Alive” estava guardada para a fase final do concerto, que se encerrou recuperando Jack White em palco, para “Keep On Rockin’ In The Free World”.

MGMT no NOS Alive '18

Os MGMT chegaram ao palco NOS com um atraso considerável, quando as nossas pernas já começavam a falhar. “Little Dark Age”, o single que dá o nome ao álbum lançado neste ano, foi a escolha para início de concerto. Talvez fosse o cansaço acumulado e a hora tardia a falarem mais alto, mas sentimos que a banda levou muito tempo a chegar às músicas que mais lhe acarinhamos, resultando num concerto morno. “Kids”, por exemplo, estaria guardada quase para o final. Ainda assim, alguns resistentes aproveitavam o espaço que vagava no recinto para danças mais exuberantes. Do lado do palco Sagres, era Perfume Genius que tratava de encerrar o festival.

Neste Sábado, apesar de elegermos facilmente Pearl Jam como concerto mais conseguido, também nos sentimos bem “Alive” noutros momentos, como em Franz Ferdinand ou Real Estate. Era já bem tarde quando acabámos a última imperial e o último passo de dança, mas isso não tornou a despedida do passeio marítimo de Algés mais fácil. Por esta altura tínhamos perdido a conta aos bons concertos e receávamos que a memória nos traísse e começássemos a misturar os momentos destes três dias. Felizmente, temos encontro marcado com o Alive ’19, nos dias 11, 12 e 13 de Julho. Querem trocar apostas connosco?!

Texto: Andreia Duarte
Fotografia: Joana Viana (galeria completa do dia 3 disponível no Facebook)

Nota de rodapé: a Punch esteve nos três dias de NOS Alive ’18! Também podes ler as nossas reportagens do  1º dia (12/Julho, Quinta-Feira) e do 2º (13/Julho, Sexta-Feira).

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