O Super Bock Super Rock (SBSR) em 2018 volta mais uma vez com a fórmula que nos apresentou nos últimos anos. É um festival urbano, que se realiza no Parque das Nações, e junta três géneros que conjugam bem: o rock, o pop e o hip-hop. Este tem sido o festival com mais transformações ao longo da sua história,  pois teve de se saber reinventar com o crescimento de outros festivais de música semelhantes – já mudou de sítio várias vezes, já teve e deixou de ter campismo, o seu calendário também foi alterando e os géneros foram-se adaptando às preferências dos festivaleiros.

O SBSR abriu com a mítica banda de Coimbra, The Parkinsons, no Palco EDP. A irreverência que tanto os caracteriza foi suficiente para dar energia a uma tarde ainda lenta e morna. A banda lançou este ano um novo álbum e anda a espalhar a sua magia punk um pouco por todo o país. Durante este primeiro concerto o público ainda era pouco, mas o vocalista Afonso Pinto dançou, saltou, saiu do palco e foi até meio das pessoas na plateia para mostrar como se fazia a festa. De seguida, quem subiu ao palco foram os Parcels. Um conjunto de homens australianos, bonitos, com uma estética muito anos 60 e melódicos. Com muito mais pessoas presentes nesta altura, o seu som foi contagiante, com os elementos sempre sincronizados entre si, pondo toda a gente a dançar.

Com próximos actos a aproximarem-se também chegava o tempo das decisões. No Palco LG, totalmente dedicado à música portuguesa, apresentava-se Vaiapraia e as Rainhas do Baile. Rodrigo Vaiapraia é líder desta interessante banda, que é produzida e apoiada pela editora independente de Lisboa, a Cafetra. Num jeito muito próprio e confiante, Rodrigo e a sua banda usaram indumentárias pouco convencionais, mas coerentes com aquilo que são, irreverentes. Rodrigo usava uma camisa preta aberta, de renda transparente, muito provocadora; a guitarrista vestia uma espécie de fato à Walter White a cozinhar metanfetaminas, como no Breaking Bad; a baterista Lúcia Vives rockava um sports bras com muito power. A Cafetra também se fez representar por Filipe Sambado, que tocou um pouco mais, também mostrou um figurino provocante e, no pouco que vimos deste concerto, quis sempre mostrar esse lado mais ousado e disruptivo. O seu álbum lançado este ano, Filipe Sambado & Os Acompanhantes de Luxo, fala de muitos assuntos controversos ligados à sexualidade e à identidade de género.

Entretanto, noutros palcos, também haviam momentos interessantes. Os Temples vieram como banda de substituição, mas deram logo a entender que eram de primeira linha. Todos vestidos de preto e com um rock forte, riffs acutilantes e um estilo muito inglês, conseguiram ser eficazes. Eles conseguem ser uma banda que fica sempre bem em qualquer cartaz.

Um dos momentos da noite foi a homenagem ao Zé Pedro, dos Xutos e Pontapés. “Who the Fuck is Zé Pedro?” era o nome deste segmento, que juntou vários amigos. Entre eles estavam Carlão, Rui Reininho (GNR), Tomás Wallenstein (Capitão Fausto), Manuela Azevedo (Clã), entre outros. Cantaram músicas dos Xutos, produções do Zé Pedro, e canções que ligavam Zé Pedro aos interpretes que subiam a palco. Foram sobretudo memórias que estiveram ali no Altice Arena. Quem era fã ou grande admirador sentiu a emoção e percebeu que aquela foi uma homenagem curta, mas a possível dentro do âmbito do festival.

No Palco EDP entrava em cena Lee Fields & The Expressions, um cantor soul que fazia muito lembrar o falecido Charles Bradley. A voz, as emoções, os jeitos, eram muito similares aos do saudoso Bradley. Apesar de tudo, Lee apresenta-se com um fato branco com brilhantes prateados. Havia ali uma vibe muito ligada a Las Vegas, mas que lhe ficava muito bem não parecia nada forçada.

Infelizmente, deixámos The Vaccines de lado e fomos esperar os últimos dois concertos da noite e cabeças de cartaz no Altice Arena. Os primeiros foram os The xx, com  a sua pop melosa, que contrasta com uma electrónica simples e contagiante. O trio de Londres sabe apelar à emoção e ao romantismo, e põe nas suas canções uma estética que é única. A imagem que fica é de uma banda que segue um caminho vincado e que nunca erra. A sua afinação vem de dois anos de tour, como referiram durante o concerto, mas também pela sua cumplicidade. Mais do que tudo são três amigos. Um dos momentos altos foi certamente “Loud Places”, que foi o pico da noite. Além disso a banda tem uma ligação especial a Lisboa, pois já organizaram um Night + Day (Festival dos The xx) nos Jardins da Torre de Belém.

Por fim Justice. Os franceses fecharam esta noite em grande. No palco estavam uma série de colunas e, no meio, os aparelhos da dupla francesa. Ao subirem parecia que entravam numa nave espacial. Os Justice fazem uma entrada épica como poucas bandas sabem fazer, talvez um pouco ao estilo dos Chemical Brothers, que seguem esta vertente electrónica. Conhecem bem o público e sabem como puxar por ele. O público deixou-se ir, numa noite que acabou em estrondo e que vai marcar o ritmos dos próximos dois dias.

Texto: Rodrigo Castro
Fotografia: Pedro Barata

Nota de rodapé: a Punch esteve nos três dias de SBSR ’18! Também podes ler as nossas reportagens do  2º dia (20/Julho, Sexta-Feira) e do 3º (21/Julho, Sábado).

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