O terceiro e último dia do SBSR ficou marcado pela presença de Julian Casablancas & The Voidz. O segundo nome mais sonante deste dia foi Benjamin Clementine, mas este já tinha estado presente em Lisboa, em Março passado, no Campo Pequeno. Foi talvez um dos dias mais vazios de público da história do festival e talvez uma maneira da organização repensar o próprio festival em si.

“Vamos começar calmamente o terceiro dia para acabar a rasgar”, cremos ter sido esta a filosofia da organização ao escolher a Isaura para a abertura no Palco EDP. Melodias afinadas para envolver a tarde solarenga e dar as boas vindas ao fim-de-semana, mas sem nunca deixar o público entorpecer. Já ao cair do astro diurno, vemo-nos na presença do icónico Baxter Dury, a abrir as hostilidades rock num dia que promete fazer jus ao nome do festival. Muita energia, vinho branco e presença assaltaram a presença em palco e contagiaram os fãs a cantar os temas que lhes estão cravados nas memórias, e certamente nos anuários do indie rock inglês. A competir pela atenção do público no outro lado do festival encontravam-se os Sunflowers, davam vida ao palco num dos concerto mais inquietos, como o punk/garage deve ser, verdadeiro.  Vindos das redondezas do Porto, só quiseram mostrar que ainda se consegue fazer a mexer o público com guitarras distorcidas e e baterias exaltantes, ainda para mais num festival que traz rock na génese do seu nome.

O primeiro nome grande do dia, Stormzy, surge à estranha hora de jantar e parece-nos que um dia atrasado no calendário do festival. Sexta-feira tinha sido hip-hop de cima a baixo e Stormzy aparece deslocado antes de Benjamin Clementine e Julian Casablancas no alinhamento do dia seguinte, o menos. Mas pondo isto de parte, um dos nomes maiores do Grime londrino veio acompanhado apenas do seu DJ e carregado da fúria habitual que o estilo carrega, tentando despoletar a reacção do público que se provou energético e pronto a acompanhar o rapper na sua estreia em Portugal, no meio de clássicos, acapellas e moshs. Correu bem melhor do que se podia antecipar, mas deixa-nos a pensar o que poderia ter sido num dia em que as rimas dominavam as ondas sonoras do Parque das Nações.

Sevdaliza entrou no Palco EDP com vestes curtas, cheias de sensualidade, e pronta a interagir com o público. A cantora, de origem iraniana mas nascida e criada na Holanda, mostra uma verdadeira mistura de géneros e soube combinar as suas várias influências. A sua voz e a sua imagem mostram uma linguagem ligada à world music, mas sempre com nuances electrónicas, pop ou jazzísticas. Nos últimos dois anos lançou o álbum ISON e um EP, The Calling.

A mostrar um rock português mais acessível, os Keep Razor Sharp foram uma banda à altura do Palco LG. Sem grandes dificuldades, dão um concerto bom para o fim do dia e agradável de se ouvir com uma cerveja na mão. Constroem canções elaboradas, mas que conseguem ser ao mesmo tempo fáceis de ouvir. É um projecto que podia ter mais visibilidade mas, talvez pela a sua atitude descontraída e rockeira, não é conhecido por mais pessoas.

Já dentro do Altice Arena actuava Benjamin Clementine, mas talvez não num espaço ideal para o cantor inglês. Este tipo de artista pede sempre um local mais íntimo. Faltou um pouco de sentimento, como houve talvez no passado quando Benjamin actuou no Palco EDP deste festival, ou no Festival Vodafone Mexefest. A acústica da sala, como sempre, também não ajudou muito. A surpresa da noite foi Ana Moura, que subiu ao palco para um participação discreta e sem chama.

Os veteranos foram as figuras que seguiram. Primeiro os The The actuaram no Palco EDP, para uma legião de fãs que os segue desde os anos 80, com certeza. A banda ligada ao post-punk e ao new wave encontra-se, neste momento, a fazer uma digressão para recordar os velhos. Com trabalhos a serem reeditados e livros a serem lançados, a banda está em modo de revitalização, mas com muita energia para dar e vender. O mesmo não se pode dizer dos Pop Dell’Arte, o seu concerto já contava com pouco público no Palco LG e não conseguiram agarrar o pouco que ficou. A banda de João Peste, que também está de regresso depois de alguns parada, mostrou ser muito pesada para a ocasião, que pedia mais festividade.

Com a aproximar do último grande concerto do festival no Altice Arena, o público ficava entretido com o espectáculo de La Fura dels Baús, num curto espaço de tempo de vinte minutos. Primeiro assistimos a uma cantora a actuar numa marioneta gigante e, depois, vimos um vasta muralha de pessoas a serem elevadas no ar por um guindaste. Dançaram no ar e criaram ali uma performance fora do comum para um festival deste género.

Por fim, o homem por quem se esperava, num pavilhão muito vazio para a dimensão do seu estatuto, Julian Casablancas acompanhado com a sua banda The Voidz prometia muito. Tinha tudo para ser um grande momento, mas não foi. Os The Voidz lançaram este ano um álbum muito bem conseguido, Virtue, mas isso não chamou muita gente ao SBSR. O som, mais uma vez, não ajudou muito e por vezes nem se conseguia perceber o que o cantor queria dizer entre as músicas. O encore também foi estranho, onde houve tempo para um tema dos The Strokes, mas quase em formato acústico. A banda saiu do palco sem brilho. Foi um momento triste, porque se sentia que Julian merecia mais. Estaremos cá para lhe dar amor numa oportunidade futura.

O SBSR fechou mais uma edição cheia de variedade e com algumas questões no ar sobre o que poderá ser o futuro deste festival. A organização já revelou as datas do SBSR ’19 – 18, 19 e 20 de Julho – será que o festival se vai reinventar novamente?

Texto: Rodrigo Castro
Fotografia: Pedro Barata

Nota de rodapé: a Punch esteve nos três dias de SBSR ’18! Também podes ler as nossas reportagens do  1º dia (19/Julho, Quinta-Feira) e do 2º (20/Julho, Sexta-Feira).