Leiria, cidade de futebol e música, ou, por outras palavras, cidade de Euro 2004 e de Surma, acolheu no passado fim-de-semana (27 e 28 de Julho) o festival Dancefloor. Direcionado para amantes de hardstyle e EDM, foram dois dias de muita música e energia no estádio Dr. Magalhães Pessoa, na companhia de nomes como BORGORE, BLASTERJAXX ou Nicky Romero.

A quarta edição da maior pista de dança do país, que contou com mais de 5000 festivaleiros no primeiro dia, abriu portas pouco antes das 18h, quando a fila já se fazia sentir. Muitos destes festivaleiros marcavam certamente presença para ouvir o muito esperado Nicky Romero, mas antes do cabeça de cartaz subir ao palco houve ainda tempo para Will Sparks aquecer a mesa de mistura, com um reportório variado e ambicioso, contribuindo assim para o crescente reconhecimento do jovem australiano e para o seu característico e eletrizante EDM.

Festival Dancefloor '18 - Leiria estremeceu

O mesmo dia foi ainda marcado pelas presenças dos portugueses Kevu e dos irmãos Vinai, que fizeram elevar muitas mãos e braços em jeito de celebração. A felicidade já era bem patente quando Nicky Romero subiu ao palco para pôr o público em apoteose. O DJ holandês, número 18 do ranking da revista britânica DJ Mag, veio munido de remixes bem conhecidos pelo público presente, tais como “S.O.T.U.”, “Legacy”, “Toulouse” ou “I could Be The One”, uma parceria com o recentemente falecido Avicii. Acompanhado por um intenso espetáculo de luzes, Nicky Romero fez o deleite dos presentes e certamente superou as expectativas que se faziam sentir no ar.

A noite já ia longa quando o hardstyle soou pela primeira vez nas colunas à mercê das mãos dos muitos experientes Noisecontrollers. Com mais de uma década de carreira, a dupla, composta por Bas Oksam e Arjan Terpstra, subiu ao palco sob um coro intenso de aplausos e saiu de igual maneira. Pelo meio, passaram temas como “Marlboro Man” ou “Ctrl.Alt.Delete.”, autênticos cânones da esfera hardstyle, para êxtase dos muitos fãs presentes.

 

O segundo dia arrancou com peso e medida ao som New Id e posteriormente Borgore. No entanto, o aquecimento foi mesmo da parte da manhã, quando os festivaleiros presentes puderam usufruir de aulas de zumba, body pump e cycling, num evento em comunhão com o festival a ter lugar no estádio municipal de Leiria, transformado num ginásio ao ar livre para o efeito. Retomando o carácter musical, Borgore atuou e não defraudou a esperança em si depositada para deixar saudades na multidão presente, que duplicou durante a sua atuação impregnada de “heavy drops” e de muita adrenalina. Este génio israelita do EDM chega a Portugal depois do seu mais recente trabalho, Dancing Astronaut ter sido muito bem recebido pela crítica internacional, colocando-o como um dos DJs com mais influência na cultura da música eletrónica, tendo já atuado em palcos como Tomorrowland, Made In America ou EDC Las Vegas.

Festival Dancefloor '18 - Carnage

O tempo foi voando e a temperatura subindo, até chegar um dos mais aguardados do festival – falamos pois do “very special guest” Carnage. Conhecedor do português, a conexão com o público foi imediata, e a adesão aos loucos drops e clímaxes foi tal, que todo o recinto se deixou levar por um único ritmo, o ritmo do norte-americano DJ Carnage. Houve ainda tempo para algumas homenagens da parte de Carnage, passando temas de artistas recentemente falecidos, nomeadamente Avicci e XXXTENTACION.

Logo de seguida e sem abrandar, subiu ao palco a dupla holandesa BLASTERJAXX, que recentemente consolidou o seu lugar ao lado de grandes nomes de EDM como Steve Aoki ou Hardwell, inclusive remisturando estes dois artistas e atuando com os mesmos.

Festival Dancefloor '18 - Leiria estremeceu

Pouco passava das 3h quando os Audiotricz subiram ao palco para encerrar o festival Dancefloor 2018, que fez do estádio Dr. Magalhães Pessoa a maior pista de dança do país, e que em dois dias contou com a presença de mais de 15 mil festivaleiros amantes de EDM e hardstyle.

A aposta na música eletrónica não vai abrandar e, nas palavras da organização, “perspectivamos colocar Portugal na rota dos festivais internacionais de música eletrónica”, descansando assim o crescente número de fãs deste estilo de música que, durante um fim-de-semana, fez estremecer Leiria. Escusado será dizer que 2019 será ano de muita dança.

Duarte Barreiros