Os Meses Sóbrio assumem-se como viajantes. No entanto, são uma banda que começa a sua viagem agora.  O seu primeiro EP e estreia oficial foi baptizado de Folha. Nesta primeira etapa são exploradores que procuram um rumo, mas já algumas rotas bem definidas e paragens obrigatórias. Mais do que um início de uma jornada, aqui neste EP inicia-se uma procura musical.

Neste primeiro registo da banda lisboeta temos temas lentos e longos. As melodias pesadas são sempre acompanhadas por uma suavidade quase palpável, fazendo-nos lembrar uma longa viagem de comboio, a olhar pela janela ou a paisagem de grande planície árida. O rock seco está presente, sobretudo o rock do deserto ou tuaregue. Faz lembrar Bombino, mas com um ritmo mais lento e com influências dos The Doors. As viagens, as paisagens, ou as aventuras, servem para também para nos inspirarem. Neste trabalho nota-se algo ainda cru, mas que consegue transmitir uma ideia e transportar-nos para um local.

As músicas ainda estão muito homogéneas entre si, com elementos que se conseguem identificar facilmente. O primeiro single, “Rio” tem uma construção já muito sólida e uma aura sonhadora à sua volta. Faz parte dos temas longos, mas não se sente que se prolongue demasiado. “Cor” é o primeiro tema e é a introdução ao EP, dando espaço para “Rio” como segundo tema.

As três músicas que se seguem têm picos, sentimos que foram bem gravadas e encaixam bem umas nas outras. Talvez nestas canções haja o lado mais experimental, para deixar as canções rolar, mas fizeram-no de maneira estudada, sem que fosse um conjunto de sons sem harmonia. “Tela”, “MJM” e “Folha” são os nomes das três canções que compõem o resto do EP.

Meses Sóbrio são capazes de mostrar um trabalho com componentes, tanto de estética como de construção, bastante evoluídos para um primeiro EP. Percebe-se que querem percorrer caminhos vários para encontrar o seu som. As influências e as referências estão lá e são fáceis de identificar. Esta viagem pode levá-los a muitos locais exóticos ou a conhecer pessoas diferentes, só resta perceber como eles vão usar essas influências para construir o seu som no futuro.

Nota: 7.0/10

Rodrigo Castro