Os Cave Story nasceram nas Caldas Rainha e deram-nos, há dois anos, um dos álbuns punk mais surpreendente dos últimos tempos. West foi editado em 2016 e teve logo um grande impacto. Era prova que, mesmo fora das grandes cidades, se fazia boa música do género e que a atitude punk está dentro de cada um de nós. Logo aí agarraram fãs e fizeram muita estrada.

Agora, os Cave Story lançam o seu segundo trabalho, Punk  Academics, feito de novos ritmos e influências. Apesar de se sentir que há diferenças relativamente ao primeiro álbum, conseguimos sentir a identidade da banda. Enquanto que o EP de 2015 e o álbum de 2016 seguem a mesma linha, com este novo LP a banda tenta captar uma energia diferente. Os primeiros trabalhos eram algo mais lentos, sentia-se uma sonoridade que só podia ser feita fora da cidade, onde o som era mais cru e puro. Agora não, com este som mais citadino e o ritmo mais acelerado pela bateria com mais gás, as guitarras com vida sentem-se nestas novas canções. Não é música de largo da aldeia, é música de para ser tocada numa cave da cidade, onde só cabem 50 gajos bêbedos e duas miúdas capazes de dar conta desses mesmo 50 bêbedos.

Este álbum tem duas características que o definem. Primeiro, é um álbum muito físico, até as próprias referências atléticas puxam muito para isso; músicas como “Real Racing”, ou “Punk Academics” (que dá o nome ao disco), são claros exemplos disso – deixam-nos com vontade de mexer de um lado para o outro, correr, e dão-nos pica para um concerto com muito suor. Em segundo lugar, é a influência britânica que nos remete logo para os melhores anos do post-punk; bandas como Sex Pistols têm nos Cave Story uns dignos sucessores à escala portuguesa, mas que fazem sempre música com sinceridade e verdade.

Aqui há uma certeza, começa um novo rumo. Se este será para subir novos patamares, não podemos ter já a certeza. Mas continuamos a ter músicas sólidas que nos fazem querer ouvir mais. Os Cave Story não querem ser uma banda para agradar, querem é fazer punk, contudo com nuances próprias e a explorar e a revisitar os mundos que são próprios do género. Não há aqui repetição de fórmulas, mas sim uma vontade de expressar a sua realidade. Seja nas Caldas da Rainha, no Minho, nos grandes centros ou até mesmo lá fora, os Cave Story continuam a ser uma grande banda punk-rock. Se existir uma academia do punk, então eles já são doutorados.

Nota: 8.0/10

Rodrigo Castro

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