A música pop tem várias camadas, umas mais negras e outras mais coloridas. Os Ciclo Preparatório mostram no seu segundo álbum, Se É Para Perder, Que Seja de Madrugada, o seu lado mais alegre. Mostram sobretudo mais confiança, e que deixaram de lado as canções corais, para dar lugar a um imaginário mais maduro e adulto.

Desde que lançaram o primeiro álbum, As Viúvas Não Temem a Morte, os Ciclo construíram novas vivências e foram visitar novos territórios. Houve tempo suficiente para criar uma distância que deixasse o primeiro trabalho respirar e partir para uma nova etapa. Quando criaram as primeiras músicas, havia uma certa inocência que transparecia, mas com o peso da idade talvez as novas canções tenham ganho uma outra elevação. A atitude apresentada, mesmo em palco, já mostra uma confiança de quem avança para uma idade adulta com várias certezas, mas ainda com algumas incógnitas.

O primeiro sinal de mudança aparece logo na música de abertura deste novo álbum, com “Montes da Beira”. Este tema mostra uma energia positiva e um ritmo acelerado, que dá logo a entender que os Ciclo estão numa nova fase. A banda de Lisboa tanto consegue transmitir este calor humano, como consegue ilustrar uma melancolia que nunca os deixa, e que foi sempre referenciada no primeiro trabalho. Aliás, eles encaram essa melancolia como necessária e não a negam. Em “Melhores Hão-de Vir” e “Lágrimas Curam Multidões”, dão-nos esses sentimentos, que não são fáceis de digerir e nos levam a reflectir sobre as adversidades.

Neste álbum falam também de correr riscos e de descoberta pessoal. Esta fase de amadurecimento também vive dos erros, e sabe lidar com isso. Os Ciclo partem para este álbum sem grandes constrangimentos e com vontade de deitar cá para fora todos os sentimentos que têm dentro de si, sejam eles mais fáceis de cantar ou não. Eles encerram este segundo trabalho com a bela música “Caravela”. Nesta música, interpretada por uma voz feminina e que tem um videoclipe a preto e branco, com várias imagens estáticas, onde vai aparecendo a banda ocasionalmente. Esta música reflecte muito o espírito do álbum e a imagem que banda quer transmitir. A serenidade de quem sabe lidar com os seus sentimentos, mas tem muito por descobrir.

Os Ciclo Preparatório dão-nos um segundo álbum sólido e com várias tonalidades, que remete para uma fase de maturidade. Há espaço para músicas vibrantes, mas as canções com profundidade continuam a ser o tom preferido da banda. Quando quisermos canções com sentimento, vamos poder a contar com os Ciclo, e o seu repertório não nos vai deixar de aquecer.

Nota: 7.0/10

Rodrigo Toledo