O nome até pode ter mudado ao longo dos anos, mas a essência mantém-se – o nosso festival corre-corre de Outono preferido está quase, quase aí. Nos próximos dias 23 e 24 de Novembro, a ordem é para largar tudo, calçar uns ténis, e perder as contas às vezes que subimos e descemos a Avenida da Liberdade. Para se prepararem devidamente para esta edição do Super Bock em Stock, olhámos atentamente para o cartaz, e elegemos as dez bandas que mais queremos ver nessas duas noites.

Começamos pelos da casa, os nossos portugueses. Iniciamos esta espécie de top 10, com os mais frenéticos, os Capitão Fausto – Domingos, Francisco, Manuel, Salvador e Tomás. São estes os nomes que formam, desde 2010, a banda que hoje conhecemos como Capitão Fausto. Um grupo lisboeta que já conta com vários álbuns, entre os quais, o seu primeiro longa duração, Gazela, editado em 2011, Pesar o Sol, em 2014, e Têm Os Dias Contados, editado em 2016. Com espírito indie rock, a banda volta a marcar território com mais um álbum prestes a sair, intitulado A Invenção do Dia Claro. Gravado nos Red Bull Studios, em São Paulo, pelo engenheiro de som Rodrigo “Funai” Costa, este álbum está repleto de boas referências. Desde logo a capa deste trabalho, que ficou a cargo do mesmo designer gráfico que criou o grafismo do jornal Expresso e do Correio da Manhã, Vítor da Silva. Deste projeto ainda só podemos ouvir as músicas “Sempre Bem” e “Faço as vontades”, mas já é provavelmente dos discos mais aguardados deste ano. Como não poderia deixar de ser, é certamente um concerto a não perder nesta edição do Super Bock em Stock. Com o que será que a banda nos vai brindar neste festival? – é a pergunta que não queremos deixar sem resposta.

Os segundos são os Birds are Indie. Joana Corker e Ricardo Jerónimo são um casal de namorados de Coimbra que em 2010, decidiram criar os Birds are Indie, uma banda independente, com raiz indiepop, da qual resultou um ep, Life is Long. Passado um ano,  um amigo de longa data, Henrique Toscano,  juntou-se ao grupo e desde aí os três “birds” já contam com vários trabalhos. No mesmo ano, criaram Ok, It’s Christmas e em 2012, How Music fits our Silence, o seu primeiro longa duração. De dois em dois anos, a banda parece continuar a surpreender. Em 2014, editaram o álbum Love is not enough e em 2016 Let’s pretend the world has stopped. Este ano, 2018, para não falhar o ritual, chega-nos o seu quarta longa duração, Local Affairs, com canções pop, informais e contagiantes. É com esse ambiente, informal e contagiante, que esperamos ver os Birds are Indie no Super Bock em Stock.

Outra atuação que não vamos querer perder é a Lena D’Água com o Primeira Dama e a Banda Xita. Um ícone da pop-rock na década de 70, Lena d’Água iniciou a sua carreira ao lado dos Beatnicks e foi uma das grandes vozes do rock português. Por sua vez, Manuel Lourenço é um cantor e compositor que veste a pele de Primeira Dama. É a junção de dois estilos musicais, indie e pop e tudo parece dar certo. Os dois juntaram-se por ocasião do segundo single do último álbum de Manel, “Rua das Flores”, onde o cantor faz referência à música “Perto de ti” da artista. Assim, os discos Histórias por Contar e Primeira Dama, de 2016 e 2017, respetivamente, unem-se agora aos clássicos de Lena d’Água. Estes dois não estarão sós. Lena e Manel sobem ao palco do Teatro Tivoli BBVA, no dia 23, com os membros do coletivo Xita Records – António Queiroz (baixo), Inês Matos (guitarra); João Raposo (teclas e voz) e Martim Brito (bateria).

Não vos trazemos apenas nomes nacionais. Do estrangeiro para a nossa Avenida, vamos poder ver e ouvir, por exemplo, as Dream Wife. Uma banda de punk  rock e indie  rock formada por três amigas da escola de arte de Brighton – Rakel Mjöll, Alice Go e Bella Podpadec – que no início do ano, mais precisamente a 26 de janeiro, lançaram o seu álbum de estreia. O nome Dream Wife surgiu como protesto da objetificação das mulheres na sociedade, como mostra a música “Somebody”. Quando estão em palco, as três mulheres assumem-se. São autónomas e feministas. Muita diversão e energia irão certamente fazer parte deste grande concerto.

Outro nome que não nos podíamos deixar de mencionar nesta lista é Johnny Maar. Johnny é um músico inglês, de 54 anos, mais conhecido por ter sido guitarrista da banda de rock britânica The Smiths. O artista que trabalhou com The The, Beck, The Pet Shop Boys, The Talking Heads, Electronic, Pretenders, Modest Mouse, Paul McCartney e Hans Zimmer, possui, agora, uma carreira a solo e já conta com três discos. O mais recente, Call the Comet, foi lançado em Junho deste ano e será apresentado nesta edição do Super Bock em Stock. Marr descreveu este novo disco como uma forma de “realismo mágico” que aborda grandes questões do dia-a-dia. O compositor acredita que o mundo mudou muito desde o seu segundo álbum e foi exatamente isso que teve impacto na sua música e nas suas emoções. Call the Comet é, então, o resultado daquilo que Marr queria que o universo fosse – inteligente, bondoso e curioso.

Jungle é outra banda imperdível neste festival – pelo menos quem não teve a oportunidade de os ver, este ano, no Vodafone Paredes de Coura. A banda surgiu em 2013 entre dois amigos de infância, Tom McFarland e Josh Lloyd-Watson, mais conhecidos por J e T. Eles são um duo de Londres entre o funk e o soul da década de 70, com espírito frenético, psicadélico, alucinante e energético. Os dois foram, em 2014, nomeados para o prémio BBC Sound, ano em que foi lançado o seu álbum de estreia – Jungle – pela XL Recordings.

Neste top 10, incluímos também Holly Miranda. Nascida a 1982, Holly é uma cantora e compositora americana. A artista, para além de saber tocar piano desde os seis anos, é também guitarrista e trompetista. A sua carreira começou em 2001, com o disco a solo High Above The City. No entanto, foi em 2003 que Holly “deu o salto”. A cantora, que se mudou para Nova York, reuniu-se com o produtor Alex Lipsen e tornou-se membro da banda The Jealous Girlfriends.  No entanto, o grupo acabou por se separar e cada uma seguiu as suas próprias atividades musicais. Foi nesse momento que Holly decidiu lançar-se a solo, novamente, com a ajuda do seu amigo produtor TV on the Radio’s, David Andrew Sitek. Desde 2010, ano em que lançou formalmente o álbum The Magician’s Private Library, a artista já conta com vários trabalhos. O seu mais recente projeto foi lançado a 23 de Fevereiro deste ano, pela Dangerbird, e intitula-se por Mutual Horse. O disco é dedicado à sua mãe Gina, que faleceu cerca de um mês antes do lançamento, mas o álbum de triste não tem nada. Estamos ansiosos para poder ouvi-la no Teatro Tivoli BBVA.

O próximo nome também já não nos é estranho. É um músico brasileiro, cantor e compositor, vocalista da banda O terno. Tim Bernardes, agora em nome próprio, vem novamente a Portugal mostrar o seu primeiro álbum a solo, Recomeçar. O disco, lançado no ano passado, já foi alvo de muitas críticas positivas. Este trabalho aborda a desgraça que pode vir a ser o amor e, naturalmente, ouve-se do princípio ao fim, sem intervalos pelo meio. Recomeçar surgiu porque Bernardes queria expressar certos pensamentos e emoções, uma coisa mais intimista, e sentiu que só poderia fazê-lo sozinho, sem a sua banda. As canções deste álbum refletem isso mesmo. No entanto, foram letras que Tim compôs, num momento de solidão, mas que nunca pensou lançar, por falarem de sentimentos e desilusões de um amor que o autor deixou passar. São músicas muito pessoais que o cantor expõe ao seu público, mas que ao mesmo tempo permite que qualquer pessoa se identifique com tudo o que diz. Tim sobe ao palco do Teatro Tivoli BBVA, no dia 24, e nós estaremos por lá também.

Segue-se a irrepreensível Natalie Prass. Nascida em Ohio e criada em Richmond, Virgínia, a cantora e compositora lançou os seus primeiros EPs, Small & Sweet, em 2009, e Sense of Transcendence, em 2011. A sua carreira começou quando se juntou à banda de Jenny Lewis para uma série de tours, enquanto escrevia novas canções a solo. Em 2015, a artista consegue finalmente lançar o seu álbum de estreia, auto-intitulado Prass, que ficou reconhecido como um dos melhores álbuns do ano pelo site de música Pitchfork. Com um estilo singular e discreto, a cantora, repugnada com as eleições de 2016, acabou por criar doze novas canções com uma forte mensagem feminista e desafiadora, que deram origem ao seu segundo álbum, The Future and the Past, lançado a 1 de Junho.

Por fim, terminamos este top com Public Access T.V, uma banda americana formada em New York, em 2014, por quatro elementos – John Eatherly, Xan Aird, Max Peebles e Peter Sustarsic. Public Access T.V, começou quando, aos 16 anos, Eartherly abandou a escola, se dedicou a tempo inteiro à música e começou a trabalhar nas suas próprias canções. Depois de lançada a sua primeira música, “Monaco”, o grupo foi imediatamente elogiado. Em 2015, lançaram o seu EP, Public Access, de cinco músicas, pela Terrible Records. No verão do mesmo ano, a banda mudou-se para Londres para gravar o seu álbum de estreia, que só viria a ser lançado a 30 de Setembro de 2016, com o nome Never Enough. O disco, produzido pela Cinematic, foi considerado um dos melhores 10 álbuns de estreia do ano pela NME. Este ano, a banda voltou a brindar-nos com o seu segundo trabalho, Street Safari, gravado com Patrick Wimberly no CRC Studios, em New York.

Liliana Gonçalves