O icónico Teatro Ibérico foi cenário para duas noites de apresentação do mais recente disco de Flak, Cidade Fantástica, lançado no passado dia 19 de Outubro. Na quinta-feira, dia 8, aconteceu o primeiro de dois incríveis espectáculos. O entusiasmo em palco era notório e partilhado pelo público.

O seu nome é João Pires Campos, mas conhecemo-lo como Flak. Tem hoje 57 anos e fundou bandas como Micro Audio Waves e Rádio Macau, esta última nos anos 80. Estreou-se na carreira a solo em 1998, com um primeiro disco em nome próprio, e conta já com dois outros, Nada Escrito e, o mais recente, produzido por Benjamim, Cidade Fantástica. Acompanhado por oito músicos, foi este último disco que Flak, em grande estilo, apresentou ao Teatro Ibérico.

Passavam uns meros quinze minutos da hora agendada para o início do espectáculo quando, vestidos a rigor, Flak e a sua banda entraram em palco. “Morcego”, o primeiro tema do disco Cidade Fantástica, foi também o primeiro da noite, e os restantes foram tocados pela mesma ordem do disco.

Flak | Teatro Ibérico [8 de Novembro]

O composto conjunto que acompanhou o músico em nada desiludiu, e a boa disposição em palco era notória e genuína. O contraste de idades entre Flak e a restante banda era evidente, mas em nada alterou a fluidez do espectáculo. Benjamim, o produtor do último álbum, Cidade Fantástica, não só tocou piano, teclado e guitarra como cantou lado a lado com Flak. Na bateria João Pinheiro, o baterista de Diabo na Cruz, na guitarra António Vasconcelos Dias, nos teclados Zé Guilherme Vasconcelos Dias e, escondido mas sem falhar uma nota, David Santos no baixo. Finalmente, três doces vozes femininas acompanharam em coro a incrível prestação de Flak. O místico cenário do antigo convento do Teatro Ibérico foi o contexto perfeito para apresentação de Cidade Fantástica, e o excelente espectáculo de luzes que acompanhou o som esteve no ponto. Assim se criou o ambiente para quase hora e meia de espectáculo, que o público de Xabregas recebeu de braços abertos.

Para o encore, Flak convidou a palco o jovem músico Primeira Dama (Manuel Lourenço), o músico que, entusiasmado, confessou ser grande fã de Flak e conhecer de cor as suas músicas. Juntos cantaram, os dois, temas que deram o remate final na primeira de duas noites de apresentação do longa-duração Cidade Fantástica. A prestação dos músicos nacionais teve direito a uma merecida ovação de pé e o espectáculo repetiu-se na noite seguinte.

Texto: Maria Roldão
Fotos: Lúcio Roque