Nada melhor que um concerto para começar a semana em grande, já que as segundas-feiras são vistas como o bicho papão por todos nós. Este é o dia que dá vontade de dar dois passos atrás e voltar à preguiça do domingo. Nesta segunda-feira, dia 12 de Novembro, quando os Boogarins subiram a palco, as expectativas eram grandes. A banda não é desconhecida nenhuma, para um público que tanto os quer. O brilho continua lá, mas desta vez algo ofuscado.

É indiscutível afirmar que os Boogarins são bons e um marco importante na cena psicadélica do Brasil. Eles são bons no que fazem – psicadélico. Quando surge Lá Vem a Morte essa imagem desconstrói-se, e os Boogarins tentam ser algo próximo d’Os Mutantes. A inspiração é mais que óbvia, mas ainda necessita de estudo – depois de dois álbuns que anunciam uma carreira brilhante, o brilho perde-se um bocado com o lançamento de um terceiro álbum que merecia mais reflexão e amadurecimento. Um álbum que se afasta do psicadélico ao qual eles nos habituaram, e funde este género com a electrónica e o experimental. Mais do que isso, é um álbum que experimenta o experimental. Nesta segunda-feira, notou-se o experimentar o experimental ao vivo e a cores. Foi bom, mas longe do explosivo excelente ao qual nos acostumámos, antes desta nova fase da banda. Não é necessariamente mau – as bandas merecem as oportunidades e têm de evoluir. Apenas necessitam de mais amadurecimento, que temos a certeza que o tempo trará. Os miúdos são bons, tocam bem e cativam plateias. Foi exactamente isso que eles fizeram. Já se anunciava uma noite ganha, e ainda nem a banda tinha subido a palco. A ansiedade sentia-se nas paredes e o ar cheirava a felicidade. Os Boogarins são adorados e sempre o serão. E eles sabem disso.

Mal subiram a palco, a plateia tremeu e o concerto começou com uma explosão de sons, que se foram distanciando da ideia do habitual concerto de Boogarins. O novo álbum fez-se ouvir grande parte do tempo, como esperado, e este resulta melhor ao vivo. É mais pujante, mais forte, mais enérgico e soa a melhor executado. No entanto, as músicas antigas sofreram alterações com inserções de experimentalismos, nem sempre bem conseguidos. Realçando, mais uma vez, inserções que consistiram em experimentar o experimentalismo em tempo real. A vontade de evolução é boa, mas essa não tem necessariamente de mexer com o que já existia.

Cada coisa é como cada qual, e talvez tenha sido por isso que o concerto, que tudo tinha para ser genial, foi apenas bom. Não obstante, o público vibrou, cantou e pediu por muito mais. E, apesar de tudo, o concerto foi bom e saímos com vontade de algo mais. Quase duas horas não chegam para alimentar o amor que vive em cada fã português de Boogarins. Eles são bons, muito bons. A previsão é um amadurecimento que os levará a ficar ainda melhores. Quem acha que eles já deram tudo o que têm para dar, não se deixem enganar. Os quatro brasileiros, têm mais para dar, muito mais. E, com certeza, darão.

 Alexzandra Souza
Fotografia: Ana Viotti (Musicbox Lisboa)