No último dia 29 Sevdaliza esteve no Capitólio para o primeiro concerto em nome próprio em terras lusitanas. A cantora holandesa esteve no festival Vodafone Mexefest no ano que passou e regressou ainda este verão para o Super Bock Super Rock. A estreia a solo foi feita com casa cheia e um incrível e emancipador espectáculo. Após o lançamento de dois EPs em 2015, The Suspended Kid e Children Of Silk, foi apenas em 2017 que Sevdaliza editou o primeiro longa-duração, ISON. Este ano lançou The Calling, do qual faz parte o tema “Soul Syncable” e nenhum dos quatro escapou no alinhamento de quinta-feira passada. E embora a sua carreira pareça curta, a verdade é que Sevdaliza é já um nome de referência no panorama musical actual. A prova é a prestação que trouxe a Lisboa na semana que passou.

Sevdaliza [Capitólio - Lisboa | 29 de Dezembro]

A entrada no Capitólio foi feita ao som do minimalismo do DJ Mr. Herbert Quain e pouco depois das nove já o palco se encontrava preparado para receber Sevdaliza e o cineteatro bem mais composto. “Voodov”, tema do mais recente EP The Calling, deu o toque de saída e a entrada arrebatadora da holandesa preparou a audiência para o que aí vinha. Certo é que durante cerca de hora e meia foi difícil tirar os olhos de Sevdaliza. A cantora hipnotizou toda a plateia com os seus disruptivos movimentos e o seu olhar provocador e revelou ter uma personalidade que transbordou muito além das fronteiras do palco.

“Libertine” deu seguimento ao alinhamento e nenhum dos mais bem-sucedidos temas faltaram. Vestida com um longo vestido branco e com umas luvas brancas calçadas, foi assim que a cantora se apresentou a Lisboa para esta estreia a solo. Para o tema “Key” vestiu-se de vermelho mas sempre com uma classe incomum de uma alienígena. “Human”, na sua versão original (em inglês) e “Marilyn Monroe” foram sem dúvida os momentos mais efusivos da noite, mas nenhum outro ficou aquém das expectativas.

Além da banda – Anthony na bateria, Leon nas teclas e Jonas no violoncelo – a cantora apresentou toda a equipa de profissionais que a acompanha e que torna possível um tão imersivo espectáculo. E o público, tão ecléctico quanto a cantora, não vacilou nem por um segundo e conseguiu roubar-lhe um enorme sorriso – entre temas ouvia-se quase sempre um “és linda”.

“Marilyn Monroe” marcou a primeira saída de palco da cantora num espectáculo incrivelmente bem ensaiado com tudo no sítio (exceptuando o volume ensurdecedor e injustificado). De quando em vez, a operadora de câmara que projectava a imagem de fundo, filmava em palco tanto Sevdaliza como a dançarina que a acompanhou criando um cenário imponente que já é mais que característico da cantora. “Loves Way”, já no encore, deu o espectáculo por terminado e os sorrisos à saída do Capitólio foram bem evidentes.

Escolher as palavras ideais para descrever o que aconteceu no Capitólio é certamente um desafio mas é possível dizer que ninguém ficou indiferente à prestação de Sevdaliza. Mais do que cantora, e ainda assim melhor cantora do que deixa transparecer em estúdio, a holandesa-iraniana demonstrou ser a completa artista que esperaríamos ser, abraçando o público português com um excepcional espectáculo audiovisual. Ficou um agradecimento sentido e a promessa de um retorno breve que aguardamos ansiosamente.

Maria Roldão
Fotos: Nuno Alexandre