O passado sábado, dia 22 de Dezembro, marcou o final da rajada de concertos de 2018. E que melhor forma de finalizar este ano de muita música, do que ao som de uma das melhores bandas portuguesas (ou quiçá a melhor)? Os Linda Martini fizeram quatro datas seguidas no Musicbox, a propósito da tour “Agora Escolha”, que percorreu Portugal inteiro, e que permitiu aos fãs compilarem as suas setlists preferidas. Respeitadas as preferências dos fãs, os Linda Martini deram concertos de tirar o fôlego. Dos quatro que aconteceram no Musicbox, nós assistimos ao terceiro, o de dia 22.

A noite era gélida mas os ânimos exaltantes e logo se acabou o frio, quando a banda subiu a palco – para alguns, pelo menos, já que a mais de metade do público não pareceu chegar qualquer tipo de emoção efervescente. O mundo estava a acontecer em palco, mas sem grandes respostas vindas do público. Parte-se já com a permissa que nem toda a gente sabe aproveitar ao máximo o melhor que a vida nos dá – neste caso, os grandiosos concertos dos Linda Martini. No entanto, é preciso ter sempre em conta: talvez seja na quietude que este público de dia 22 consiga sentir e expressar as emoções que colidem, explodem, se replicam e dão origem a mais e novas emoções. Nunca se sabe, já que cada qual sente como quer e pode.

A tour tinha de nome “Agora Escolha”, e os fãs escolheram: “Este Mar”, “Panteão”, “Europeu Comum”, “Boca de Sal”, “As Putas Dançam Slows”, “Amor Combate”, “Óssa Menor”, “Ratos”, “Mulher-A-Dias”, “Putos Bons”, “Juventude Sónica”, “Gravidade”, “Cem Metros Sereia”, “O Amor É Não Haver Polícia”, “Dá-me A Tua Melhor Faca” e um belíssimo encore com “Unicórnio de Sta. Engrácia” e “Quase Se Fez Uma Casa”.

As emoções, que cada sílaba que a belíssima voz de André Henriques reproduz, não passam ao lado de ninguém – talvez isso seja um dos motivos que fazem dele uma das melhores e mais apetecíveis vozes da música nacional. O sentimento transmitido é tal que a voz dele ecoa dentro de nós e, de seguida, sentimos igualmente ou arranjamos a nossa própria associação – o nosso próprio sentimento ecoado pela voz de André. “Quero tudo ao mesmo tempo” – berrava-se em cada canto, a par de alguns saltos de fãs que não se davam como derrotados pela quietude dos restantes. Merece realce que a música pertence a um dos melhores álbuns deste ano a nível nacional, Linda Martini. As letras são conhecidas, assim como todos os cantos da obra da banda. As roupas de quem sentiu, ao máximo, davam para arregaçar e delas pingavam suor – o suor de uma noite que serviu para a libertação de emoções, fossem elas quais fossem.

Cláudia, Hélio, Pedro e André sabem traduzir em notas musicais o, conforto amigo, que todos precisamos de ter. E, para além de o traduzirem, sentem-no com os fãs, com o público que tanto os adora. Os Linda Martini merecem ser coroados com vários elogios, mas isso não é novidade para ninguém: sempre mereceram, sempre merecerão. A tendência é que a equação perfeita, formada por estes quatro, se multiplique e fique melhor, e melhor, e melhor. Mais do que incrível, foi assim no dia 22, o dia em que ninguém queria que os Linda Martini abandonassem o palco. Nada seria mais perfeito do que colocar, em loop infinito, um concerto deles. Nunca cansaria. E quando cansasse, buscava-se energia às notas que entranham e nunca mais desgrudam. Muitos parabéns, putos bons.

Alexzandra Souza
Fotografia: Ana Viotti [Musicbox]