Foi no passado dia 22 de Dezembro de 2018 que do Inverno se fez Verão e, do B.leza, se fez uma das mais quentes pistas de dança que o Cais do Sodré teve o prazer de receber nesse ano. À beira rio, com a vista privilegiada para a Ponte 25 de Abril e com direito a céu estrelado, o B.leza deve ser o mais belo cantinho para se ver concertos no Cais do Sodré. Ou, pelo menos, é certamente um deles. A razão do calor humano e dos sorrisos que ali se encontraram, e se reproduziram e repetiram quase involuntariamente, foi Bombino. Estivemos lá e garantimos que sorrimos várias e várias vezes.

Bombino foi um dos nomeados para o Grammy, na categoria de “Best World Music Album”. Foi, também, o senhor que deu um dos últimos concertos que vimos em 2018. E que concerto. A ansiedade sentia-se, e pitadas dela estavam espalhadas aqui e ali pela plateia, mais que pronta para receber Goumar Almoctar. Pontual, eram pouco mais de 19h quando subiu a palco. Fosse um dia de pleno verão e veríamos a sua guitarra a vibrar ao ritmo do sol a pousar no horizonte, pelo amplo vidro do B.leza. À falta de sol, existem sempre as estrelas, que nos fizeram companhia numa noite tão bela quanto a que foi esta. Não é mero acaso, o músico ser considerado um dos melhores guitarristas internacionais.

Bombino é não só incrível, como majestoso – e, ao vivo, todas essas qualidades se realçam ainda mais e outras novas são descobertas. A energia vibrante ecoava em todos os corpos que, por sua vez, involuntariamente acabavam em danças frenéticas, sem grande coordenação mas com uma felicidade visível. Os sorrisos rasgaram-se e os agasalhos foram postos de lado, devido ao calor que as individuais e colectivas danças provocavam. Músicas como “Imuhar” ou “Imajghane (The Tuareg People)” foram tocadas, com distinção, e soaram ainda melhor do que da última vez que as ouvimos em casa – como se fosse possível. Mas ali tudo foi possível. O público foi levado por uma eufórica exaustão e, mesmo no final do belíssimo concerto, queria-se mais. E mais, e mais, e mais. Uma hora, e quase meia, de concerto não foi o suficiente para matar a sede dos presentes fãs. Mas, verdade seja dita: fã que é fã, terá sempre uma sede insaciável. Principalmente, quando falamos de um artista de excelência, como é o exemplo de Bombino.

Palavras para quê?! Quem lá esteve sentiu e sentiu uma das mais quentes pistas de dança do ano. E um dos mais quentes concertos, nem que seja pela energia que este transmitiu. Caso para se dizer: que volte rapidamente. Para quem está a ler e teve o azar de não ir: não faltem a uma próxima.

Alexzandra Souza
Fotografia: Luís Sousa [Música Em DX]