Melhor do que vários músicos sonantes, numa banda sonante e relevante na música portuguesa, só quando estes dispersam e fazem mais música sonante, em projectos a solo igualmente sonantes. A banda à qual nos referimos nestas palavras repetidas são os Ciclo Preparatório. O projeto é de Sebastião Macedo e este dá-se a conhecer ao mundo com o nome de Príncipe.

Lançou o seu primeiro álbum, único trabalho até agora, no dia 1 de Dezembro de 2017. Já lá vão alguns meses, mas o que é bom e marcante nem o tempo leva. Já foi várias vezes destacado por nós como sendo um músico interessante e que evoca o sentimentalismo. A Chama e o Carvão, assim se apelida o primeiro álbum de um trabalho que promete desenvolvimentos cativantes no futuro – que esperamos que seja próximo. A capa, e mesmo o nome, remetem-nos logo para um álbum que será, provavelmente, agridoce para o coração. Basta ouvir a primeira canção para o confirmarmos, ao mesmo tempo que nos aquece com melodias que nos deixam a desejar por mais, e com uma voz que canta palavras que nos queimam os sentidos (no bom significado da coisa). É disto que se faz a beleza do disco, da história que é contada entre versos amargos e melodias que nos enchem as medidas, com uma meiga voz a acompanhar cada acorde. A voz que, muitas vezes, apenas nos murmura as sílabas, que, num golpe de sorte, tenta exprimir e expandir o que o coração do Príncipe vivencia. A realidade é que podemos andar à volta das metáforas, a tentar descobrir o que elas querem dizer, mas só o próprio sabe o que pretende com tudo isto. Uma coisa que sabemos afirmar, com certeza absoluta, é que o produto final é bonito e transmite gozo ao ser ouvido. Transmite gozo ao ser ouvido, e cantado, e repetido.

A verdade é que não há muitos projectos musicais portugueses que se consigam destacar a permanecer destacados. No entanto, temos a sensação que o Príncipe é um desses sortudos que se manterá destacado. Não se trata de mera sorte – chama-se talento e saber fazer bem as coisas; saber cativar. Justificamos assim esta escolha para o cartaz da Punch Session deste mês.

Se acham que estão preparados para ser cativados pela voz que sabe a mel, de Sebastião, é só aparecerem no dia 26 de Janeiro no Titanic Sur Mer. À beira-mar e com o céu estrelado, tudo sabe melhor. Até o frio promete desaparecer.

Alexzandra Souza