Quinta-feira, dia 24 de Janeiro, foi o dia de Santa Apolónia, mais propriamente o Lux Frágil, conhecer a Jessy Lanza, ao luar. Ela é do Canadá e veio até Lisboa, pela terceira vez, aquecer a temperatura fria que temos enfrentado nos últimos dias. Foi bem sucedida em nos aquecer, claro. Foi, também, a estreia da nova promotora, Gig Club, em Lisboa. Claro, nós não conseguimos faltar.

Já se fazia tarde quando o concerto deu o seu pontapé de arranque. A sala não estava a abarrotar como seria de esperar num dia normal de Lux – talvez por o dia seguinte ser um dia de trabalho, para o público em questão, ou talvez mesmo por ser ainda cedo. Nunca saberemos. Só sabemos que quem faltou, perdeu. E perdeu muito. A artista merecia muito mais público. No entanto, isso não a impediu de arrasar por completo e dar um concerto daqueles que nos fazem perceber que valeu a pena sair de casa, e perder umas horas de sono, com a manhã seguinte de trabalho. Com um boné e um casaco que lhe davam um look de teenager, acabada de sair da faculdade, pronta a passar uns discos para a malta curtir, pular e dançar um bocadinho, Jessy Lanza foi bem sucedida em tudo o que fez. O público não dispersou e juntou-se todo, pertinho do palco, para um concerto que acabou a ser algo intimista. Lanza começou o concerto de uma forma calma, tocando os hits que apelam a ânimos quietos e suspirantes. Claro que nas calmas não podemos ficar para sempre e, não durou muito até a música sacar da bagagem aquelas músicas que nos fazem dançar freneticamente, até os pés não aguentarem mais no chão. O público que outrora estava num registo muito intimista, de repente transformou o Lux naquilo que ele é mesmo – uma pista de dança. E uma pista de dança no seu expoente máximo – quem trouxe aquela malha para proteger do frio ficou claramente arrependido. “It Means I Love You” ou “VV Violence” fizeram parte de uma setlist que teve ora no primeiro disco, ora no segundo, sempre passando pelas músicas mais significativas da sua carreira.

As luzes batiam nas alegres caras que mexiam-se energicamente ao som da doce voz da música que deu à Gig Club, o melhor arranque enquanto promotora. Não é todos os dias que, nos podemos orgulhar de dizer que, tivemos uma pessoa tão genial quanto a Lanza a fazer o primeiro concerto de sempre, da nossa recém nascida promotora. Mas a Gig Club não é qualquer uma e pode dizer isso. E orgulhar-se disso.

Jessy Lanza sabe o que vale – nota-se em palco, enquanto brinca com os sintetizadores e benze-nos com música que nos faz dançar até que a alma se lave toda. Não foi longo mas foi o suficiente para matar qualquer sede que tivéssemos da artista. No fim, o público pediu mais e teve. A artista voltou, para tocar uma nova música que provavelmente antecede o próximo disco, que rezamos que seja lançado em breve. Mas, quem sabe, senão Lanza? Parabéns à organização e à artista pela missão cumprida: uma esplêndida noite de quinta.

Texto: Alexzandra Souza

Fotografia: André Henriques