Mati foi, indiscutivelmente, um dos melhores álbuns nacionais de 2018. A Selma Uamusse é a autora da obra prima, que será agora apresentada por Portugal afora. A tour tem o cunho da cooperativa, Ao Sul do Mundo.

A Selma Uamusse nasceu em Maputo, e veio para Portugal viver em criança. Muito antes do seu projecto a solo, a Selma já era uma cara bem conhecida no panorama da música portuguesa. Fosse pelas ilustres participações em projectos como Wraygunn ou Rodrigo Leão, ou pelo brilho natural que a artista emite. A esse brilho, após o lançamento do disco a solo (finalmente), juntou-se uma singularidade nunca antes vista em solo português. Sim, é verdade, isto pode-se dizer de vários artistas. Tantos eles primem por singularidades únicas. No entanto a Selma, realmente, no que toca a discos lançados em solo português conseguiu inovar e, mais importante, inovar-se. E, como boa futurologista que sou, diria que estamos apenas a visualizar – neste caso, a ouvir – o início desta efusiva inovação.

A relação de Selma com a música é bonita de se observar. É similar ao que nos acontece quando voltamos a casa, após um longo dia. Falo daquele conforto excepcional que se sente, que só se sente ali e em mais lado nenhum. E, é mesmo disso que a relação de Selma com a música tem. Talvez, daí ser tão naturalmente fluído. E bonito e bom. É que é através desse conforto, que surge então esta genial e constante descoberta de novos caminhos musicais que ouvimos em Mati – caminhos que ela opta por percorrer dentro do soul, jazz, gospel ou sons tradicionalmente africanos com uma pitada bem temperada de electrónica. As suas origens moçambicanas alimentam o disco com um oxigénio tão puro, quanto o notável e cintilante talento da artista. A Selma é divinal, de outro mundo. Basta ouvir a primeira faixa de Mati para se chegar a este consenso.

A tour contará com cinco datas: dia 1 de Fevereiro em Braga, no Theatro do Circo; dia 2 de Fevereiro em Castelo Branco, no Cine-Teatro Avenida; dia 7 de Março em Lisboa, no Lux Frágil; dia 8 de Março no Porto, na Casa da Música; e dia 9 de Março em S. João da Madeira, na Casa da Criatividade. Pouco necessito eu de vos convencer a estarem presentes nos concertos – a própria Selma Uamusse já vos comprometeu quando ouviram o álbum. Se ainda não ouviram, façam favor.

Alexzandra Souza