Apesar de já terem exposto o seu trabalho, em EP (2015) e Samurai (2016), só no ano passado é que os Reis da República apresentam o seu álbum, Fábulas. Depois de explorarem e aperfeiçoarem as suas técnicas de jardinagem, estes seis jovens,preparados para se aventurarem por todos os palcos de Portugal e arredores, apresentam-nos uma obra de rock progressivo que podemos ouvir de uma vez só, e da qual podemos retirar uma mensagem significativa – não queremos arriscar perder pitada desta fábula que se estende por dez pequenos capítulos.

Fábulas começa com “Partida”. Podemos considerar que o álbum tem como personagem Sidónio, um jardineiro, que, farto dos gnomos de jardim que o rodeiam, decide embarcar numa viagem que vai contando ao longo destas dez faixas que os Reis da República nos trouxeram, e nas quais nos vamos envolvendo. Paragem a paragem, “Hamelin” transmite uma paz de espírito de quem encontrou aquilo que estava à procura. Chegado ao seu destino, está na altura de sonhar – com um “Bocejo”, Sidónio relembra a vida que deixou para trás e como pensava que nunca iria voltar atrás, mesmo que lho pedissem, enquanto ouve as ondas do mar. “Fábula” retrata esse seu primeiro sonho, um jogo de sorte entre um gato e o rei dos ratos, rato este que tenta perceber se é um rato de campo ou um rato da cidade. O acordar, e uma “Nuvem-negra” paira pelo ar, e este jardineiro começa a questionar se esta viagem alguma vez fez sentido: talvez os ares da cidade, pelos quais se deixou fascinar ao chegar, se tenham deixado render pelos ares do campo, quem sabe?! O que sabemos é que, ao lembrar-se do seu jardim, e de tudo aquilo que o compõe, e ao observar toda a agitação da metrópole, este “rato do campo” prepara-se para fugir, viagem de regresso que é marcada pelo ritmo de “Fugida”. Quase a chegar ao sítio de onde nunca devia ter partido, “Ao portão!” traz-nos uma melodia nostálgica. No entanto, esta saudade termina quando o jardineiro observa os seus gnomos de jardim, percebendo que nunca os devia ter deixado. Volta então a rotina, mas agora com uma visão diferente, como se um novo brilho a voltasse a iluminar.

Fábulas é um álbum que nos transmite uma importante mensagem, que cada um de nós pode adaptar às vicissitudes que surgem no seu quotidiano. Trata-se dum álbum que representa uma verdadeira fábula, através do estilo próprio destes seis reis duma república de ratos e gatos do campo. Acreditamos que dará muito que falar no mundo da música portuguesa.

Nota: 8.0/10

Márcia Cabral Barroso