O contexto é político-social e os Deerhunter não medem palavras para expressarem o que sentem. “Why Hasn’t Everything Already Disappeared?”, o oitavo disco da banda, foi lançado no passado dia 18 de Janeiro.

Complexo mas de fácil absorção, assim se pode descrever por poucas palavras. Não lançavam longa durações, desde 2015, e tão grande foi a meditação que deu origem a um dos álbuns do ano, que ainda agora começou mas, que promete ser um de ouro no que toca à música. Cox obriga-nos a ser introspectivos ao longo do álbum – a entender o porquê das estruturações estarem da maneira que estão. É porque assim tem de ser, é porque assim eles quiseram.

Eles sabem bem como expressar cintilantes pensamentos sociais, e políticos, de um modo fluído e natural. De um modo, que nos fica a ressoar no pensamento a vontade, urgente, de carregar no botão de replay até à exaustão. Ouvir tantas vezes até que nos cansemos. No entanto, falo de experiência própria: é um álbum que tenho ouvido todos os dias, desde o dia em que saiu. Um álbum, com o qual tenho estado a alimentar os meus sentidos. Não cansa, a cada audição dá vontade de ouvir mais uma vez e parece sempre que é a primeira vez que o estamos a ouvir. Por estas razões, fica a certeza: é impossível encontrar tal coisa perante um trabalho, que prima pela excelência e, que é um dos melhores discos que a banda já lançou.

As meditações debruçam-se sobre crises que nos fazem questionar as coisas mais básicas da vida. Um bom exemplo disso, é a faixa “What Happens to People?” – de facto, o que acontece? Nem eles sabem, e muito menos nós. Existem ainda “Greenpoint Gothic”, pelo meio das palavras de Cox carregadas de conotações emotivas, que vive de um instrumental que nos faz viajar por mundos paralelos. Mundos que a nossa mente cria à medida que os segundos recheados de sintetizadores electrizantes acompanhados de uma bateria que dá definição a esse mundo, que idealizamos. “Détournement” é outra faixa que nos soa a algo diferente, do resto de “Why Hasn’t Everything Already Disappeared?” – o nome é de uma técnica avant-gard muito usada pelo culture jamming e que consiste, basicamente, em desviar expressões do sistema capitalista e da media cultural contra eles mesmos. Genial ou genial?

“No One’s Sleeping” – provavelmente a minha preferida do álbum. Soa bem à primeira, segunda e, ainda melhor, à trigésima vez. O tema debruça-se sobre penosos estados mentais que infectam tudo à sua volta, seja interior ou exteriormente. Em contra partida, os acordes transparecem tudo menos peso – são leves, livres e refrescantes. Destaque, ainda, para “Element” e “Death in Midsummer”.

Num mundo onde as emoções e pensamentos se tornam proeminentemente exaustivos, os Deerhunter agarram naqueles temas assombrosos, que preferimos evitar e fazem com estes conjuntos uma amálgama de fusões que toda a gente devia ser merecedor de ouvir. Conselho amigável: 2019 é para ser passado a ouvir este. 

8/10

Alexzandra Souza