O som deste trio revela cores extremamente garridas, como uma piscina rodeada de palmeiras, sob as quais se deglutem os mais coloridos cocktails. Ou como uma roadtrip num descapotável peso-pluma por uma estrada costeira qualquer. Qualquer, não. Teria de ter uma boa vista sobre o pôr-do-sol.

As referidas cores garridas são, desde logo, atestadas pelas capas dos seus registos discográficos e igualmente dos vídeos com que pontuam as suas composições que recentemente deram azo a “No lugar do fim do mundo”. É o disco de estreia dos LaGardère, editado há escassos meses, e que irão divulgar às Punch Sessions #5, dia 16 de Fevereiro no Titanic sur Mer.

Neste álbum o trio de Oeiras desenrola nove temas de um autêntico easy listening psicadélico, sem medo de ajeitar o retrovisor para retirar trejeitos musicais dos 80’s (olá, Radar Kadafi; olá, Afonsinhos do Condado), ou de dobrar repentinamente uma esquina e enveredar pelos seus próprios devaneios sónicos, que abanam posteriormente num shaker para desaguar em conteúdo fresco. Meia-hora de música que se escuta de gole, como qualquer refresco que se preze, que se enquadra devidamente no Estúdio Cuca Monga onde foi gravado.

Yann Vaz da Silva, João Sampayo e Carlos Noronha honram desta forma o espólio do seu amigo imaginário Henri de LaGardère, que estará certamente a bater o pezinho no túmulo. É daqueles disco que, de tão lisonjeiro e despreocupado que soa, quase faz pensar que tudo foi feito de ânimo leve. Mas nota-se que a banda criou todo um imaginário para emoldurar o seu som e igualmente inspirar as suas composições. Sem dúvida um disco para pegar no Verão, embora as estações também requeiram cores. Garridas, de preferência.

Álvaro Graça