Um ano se passou desde o lançamento do EP de estreia dos Ganso, denominado Costela Ofendida, de onde saiu “Pistoleira”, o inconfundível hino da banda. No ano de 2017, a banda lançou o seu primeiro longa duração, Pá Pá Pá, para que pudéssemos matar saudades do quinteto Lisboeta. A banda, composta por João Sala (voz e teclas), Luis Salamandro (guitarra), Miguel Barreira (guitarra), Thomas Oulman (bateria) e Gonçalo Bicudo (baixo), surgiu em 2014. Esta já colaborou com artistas como Capitão Fausto, Luís Severo ou José Cid, e regressa com um álbum que consagra tudo aquilo que a banda já tinha provado, presenteando-nos com mais temas eletrizantes, e contando-nos uma história bastante animada, mas que não é brincadeiras.

A capa do álbum é aparentemente divertida e apresenta-nos aquilo que irá ser o álbum na sua íntegra – um álbum com ginga, muita cor e alegria. O álbum fala de simples coisas que fazem parte da vida quotidiana e real. Exemplo disso mesmo é a música “Brad Pintas”, que fala daquelas pessoas que vão para os cafés mandar os seus bitaites, coisa que todos nós já vimos acontecer mais vezes do que aquelas que recordamos.

O tema “Grilo do Nilo” é a cara do álbum e dos próprios Ganso. Este faz-nos surfar nas suas ondas sonoras, algo a que o grupo de Lisboa nos habituou com o seu primeiro trabalho e com este, não desiludindo, supera a fasquia daquilo que estamos habituados a ouvir no panorama nacional. Este tema oferece também o nome ao álbum, com o “Pá Pá Pá” do seu refrão, uma interjeição que está presente tanto nele como na nossa vida real. “Grilo do Nilo” relembra-nos uma conhecida expressão  nossa, “cada macaco no seu galho”, quando diz que o lugar do tubarão é no mar e não no rio, onde está o tanto o crocodilo como o grilo que dá nome ao tema. Refere ainda que os últimos dois não estão bem no mar, fazendo menção à dificuldade que o ser humano tem de sair da sua zona de conforto, por ser um animal de hábitos.

Falando em surfar com a música, não podemos deixar escapar o tema instrumental “Dança de Sabão”, que nos faz viajar numa experiência. Nesta é provado que, por vezes, não são necessárias palavras para compôr uma música e fazer o ouvinte sentir aquilo que a banda quer que seja sentido – e este tema é, sem dúvida, um enorme exemplo disso. Com uma introdução em valsa, que encanta a cada compasso, fazendo-nos acreditar que estamos a dançar num baile popular, e mudando de esquema, a meio da música, para um ritmo mais acelerado, desta vez com o riff de guitarra a acompanhar-nos na dança.

“Tanto Faz” conta-nos uma história de vida, a história da nossa vida, talvez. Um Groundhog Day musical alegre, mas que conta uma história um tanto ou quanto melancólica, que é o nosso destino, o nosso futuro. “Tá na hora de acordar, p’ra depois adormecer, sonhar, morrer”. Lembra-nos que não somos tão livres quanto gostaríamos, que nos habituámos à vida como ela é.

Pá Pá Pá, dos Ganso, é uma experiência nova na música nacional. Esta faz-nos viajar pelo álbum de uma maneira bastante natural, à medida que nos são contadas histórias que estão presentes na vida de todos. Trata-se dum álbum que anima e aquece, mesmo num dia cinzento, de chuva.

Nota: 8.0/10

Pedro Dias