André Parafina e Diogo Esparteiro são o duo de guitarra e guitarra que forma o destino musical Royal Bermuda, que debutou em termos de lançamentos discográficos no mês passado. Em “Paraíso Cafajeste”, gravado na Primavera de 2017 na SMUP, decidiram dar cordas à estreia com uma mão cheia de temas instrumentais, onde a referida guitarra é dona e senhora.

Durante os cinco temas, o ouvinte preserva uma elevada qualidade de conforto, apesar de ter plena consciência de não estar certo acerca daquilo que vai encontrar ao dobrar a esquina vindoura. No entanto, os sons sedutores das duas guitarras dão-lhe a mão e transmitem-lhe a coragem suficiente para prosseguir a caminhada, que não só lava o espírito como também os ouvidos. André Parafina e Diogo Esparteiro (conhecido doutras andanças como Pás de Problème e Cows Chaos) conseguem o notável facto de tornar sofisticado o que podia ser demasiado simples, como simultaneamente simplificam aquilo que para quem ouve poderia soar excessivamente erudito. E sente-se que os próprios tomaram essas dicotomias como trampolim para as suas composições.

Este disco, atirado ao mundo pela Exotic Underground, mostra-se ideal para passear por Alfama e Mouraria em calções floridos, onde miradouros desafogados de repente dão azo a travessas esguias; ou para escutar numa churrasqueira do Cais do Sodré, em que os empregados são Rodrigo e Gabriela, e onde o frango, apesar de bem assado tem demasiado picante em certas e determinadas dentadas. Como o próprio press release divulgado pela banda atesta, este trabalho é “uma alegoria a Portugal, assumindo os seus defeitos enquanto característica essencial à evolução”. Um autêntico Paraíso Cafajeste, arriscamos a dizer, que nos deixa a desejar por mais, como se de dias de férias solarengas se tratassem.

Os Royal Bermuda têm concerto de apresentação do disco agendado para o próximo Sábado no Musicbox, em Lisboa, com bilhetes a 5€.

Nota: 8.0/10

Álvaro Graça

Foto: Alex Gaspar