Nem 20 dias haviam passado desde a entrada neste ano de 2019 (um ano repleto de momentos que com certeza irão marcar a agenda cultural de Portugal), e o produtor e compositor britânico, James Blake, surpreende-nos com um novo álbum, Assume Form. Um álbum que apresenta um estilo e uma mensagem daquilo a que Blake nos apresentou ao longo destes sete anos de trabalho, com o qual o artista conta com o apoio de Rosalía, Travis Scott, Andre 3000, Metro Boomin e Moses Sumney.

Todos aqueles que têm vindo a acompanhar o trabalho que James Blake vem publicando, estão habituados a álbuns que contam a história de alguém que se encontra num estado melancólico, algo que já se torna característico no projeto que este produtor-compositor tem vindo a apresentar. No entanto, em Assume Form, tal como se tivesse sido atingido por uma onda de romance, James Blake sai da sua zona de conforto,  e consegue surpreender tudo e todos, durante 48 minutos, desde o primeiro ao último segundo.

Na primeira faixa que podemos ouvir, Assume Form (que intitula este álbum), ainda podemos encontrar uma insegurança por parte do artista , que este pretende ultrapassar ao assumir a sua verdadeira forma, passando os seus sentimentos para o mundo material, e ficando, assim, pronto para se dar a conhecer ao mundo e disposto a fazer o necessário para o novo amor que se aproxima.

Em Mile High conseguimos extrair como uma espécie de tranquilidade em cada melodia que Blake e Scott criaram, tranquilidade esta que é marcada por um ritmo exótico que se mantém até Barefoot in the Park, onde, com o apoio de Rosalía, o artista transmite uma mensagem de amor, amor este tão profundo que qualquer pessoa que oiça e sinta esta faixa tão própria, onde encontramos um traço de música latina, se deixa facilmente envolver neste história.

A intensidade deste amor vai crescendo ao longo do álbum, e torna-se mais intenso em Where’s the catch, que nos prende com a sua batida eletrónica, e onde James Blake e Andre 3000, que demonstram ambos uma personalidade misteriosa, manifestam que qualquer fenómeno pode vir a mudar e iluminar o interior de cada um, e que os podem ajudar a tornar uma pessoa nova.

Assume Form, dá-nos a conhecer um novo James Blake, e vai expondo o desenvolvimento de uma pessoa que se dá a conhecer e deixa-se iluminar por um novo amor, que mesmo deixando-o seguro, ainda lhe traz algumas inseguranças. Um projeto que vamos poder ouvir ainda este ano, em Junho, no NOS Primavera Sound, no Porto.

Nota: 8.5/10

Márcia Cabral Barroso