Foi no ano passado que a banda portuguesa, Reis da República, lançou o seu álbum de estreia Fábulas, um disco editado pela Cuca Monga e, como todos os que de lá saem, este também tinha tudo para ser um álbum genial. Como era de esperar, não falhou às expectativas.

A banda que é liderada pela vocalista Madalena Tamen e composta por Luís Ogando, Bernardo Sotomayor, Gonçalo Bicudo, José Sarmento e Tomás Lobão traz-nos a sua receita mágica e única que reúne o rock, pop e até a própria disco de maneira espectacular e como realmente poucos conseguem fazer.

1. “Partida”
Como o título nos indica este tema é o ponto de partida deste álbum e desta viagem espacial. A música serve de introdução ao álbum e até ao segundo tema visto que a genial malha instrumental guiada pelo sintetizador fazendo lembrar o puro synthwave e synth pop que nos faz viajar até os anos 80 faz uma ligação fantástica com o segundo tema.

2. “Sidónio”
Em “Sidónio” começam-nos a ser contadas as Fábulas, por parte de Madalena Tamen. Em conjunto com o sintetizador em evidência e contando com um belíssimo instrumental a acompanhar, ambos fazendo com que o produto final seja genial o suficiente para que nos faça poder comparar este trabalho aos melhores trabalhos de rock espacial de José Cid, por exemplo, em 10 000 anos depois entre Vénus e Marte.

3. “Hamelin”
ais uma transição excelente passa-nos para “Hamelin” que nos faz lembrar, uma mudança no rumo de uma historia contada através da musica. É um tema que faz a distinção entre o que veio antes deste tema e o que virá depois. Desta vez com mais guitarras fazendo com que o som já bastante rico, ainda consiga superar mais e terminando com piano para fazer a ligação com a próxima.

4. “Breve Sonho”
“Breve sonho” é um tema mais explosivo e breve, como o seu título, tendo a duração de menos de um minuto faz o mesmo trabalho que o anterior, uma ligação para outra dimensão do álbum e da historia que este nos quer contar. Tema que começa com uma malha rápida de piano partindo para um break de bateria seguidos de sopros e sintetizadores principalmente, conseguindo colocar em 42 segundos a genialidade de Reis da República.

5. “Bocejo”
Este é dos exemplos mais claros do puro rock português de Reis da República e a prova que o grupo consegue tocar tudo.

Malha que começa com rufos de bateria acompanhado daquele som característico dos sopros até se dar o break que nos passa para uma malha típica de rock com power chords na guitarra onde começa a voz. Durante o tema, o riff da guitarra se evidencia mais que os restantes fazendo com que esta seja nitidamente a música rock do disco.

6. “Fábula”
“Fábula” é a cara dos Reis da República. Este é o tema mais pop do álbum, mas um pop com essência, consistência e profundidade, o tema mais alegre e festivo do grupo e que resume tudo aquilo que o grupo consegue fazer da melhor maneira. É o tema onde Madalena se mostra mais e prova que é uma cantora e pêras, uma voz simples mas enorme que consegue encher o tema. Tema que também é marcado pelas teclas e guitarra durante a música e especialmente antes e durante o solo no final.

7. “Nuvem-Negra”
As geniais transições não são novidade neste álbum mas já agora começo por dizer que a transição da música anterior para esta é a minha preferida sem duvida. “Nuvem-Negra” começa com uma malha lenta de guitarra e bateria dando uns toques de reggae passando para uma malha de tercinas na bateria e de seguida para a voz acompanhada de bateria com rimshots com alguns breaks pelo meio e riffs de guitarra. Talvez o tema mais técnico do grupo, o tema que coloca em evidência todos os instrumentos cada um a seu tempo e é o tema que utilizamos para provar a alguém que a banda é tecnicamente e instrumentalmente poderosa.

8. “Jardim Janeiro”
Em “Jardim Janeiro” o piano impera. Neste curto mas bonito tema, o piano acompanha-nos a solo fazendo-nos lembrar uma tarde cinzenta de Janeiro onde passeamos por um jardim, num cenário melancólico e sentimental como a música.

9. “Fugida”
Penúltimo tema do álbum, “Fugida” é um tema um pouco diferente daquilo que ouvimos até agora, bastante técnico como “Nuvem-Negra” mas muito mais rápido, fazendo lembrar os Rush no seu mais emblemático rock progressivo com temas bastante rápidos de teclas, guitarra e baixo.

10. “Ao Portão”
A última do álbum, “Ao Portão”, começa com o mesmo rock progressivo que está presente na anterior mas alterando a meio para uma malha mais espacial, lenta mas poderosa. De seguida passa por uma malha idêntica a “Fábula”, com ajuda dos sintetizadores, num instrumental que poderá fazer lembrar King Crimson. De seguida, Madalena aparece para cantar mais uma linha e a última do álbum, acabando com uma parte fazendo lembrar música infantil, parte que alinha perfeitamente com o titulo do álbum.

Pedro Dias