Todos nós, um dia mais tarde, gostaríamos de conseguir celebrar os nossos dias de juventude plena ao som daquela banda que nos acompanhou nessa fase das nossas vidas. Para muitas pessoas, esse dia aconteceu no domingo passado, dia 10, no Lisboa ao Vivo, com os Echo & The Bunnymen – uma referência no post-punk dos anos 80 e, com toda a certeza, a banda preferida de muitos. Revivalismos podem ser clichés mas são, também, uma das coisas mais bonitas da vida. E o revivalismo desta noite foi algo lindo de se ver.

Começaram um minuto antes da hora marcada e a esgotada sala rebentava pelas costuras. O público era maioritariamente composto por fãs que notoriamente conheciam a banda desde os seus primórdios. A alegria despreocupada, de quem não pensa na manhã de trabalho da segunda-feira que se aproximava, era bonita de se observar. Esta alegria contagiava públicos mais novos que acabavam a esboçar sorrisos. Foi mesmo isso que os Echo & The Bunnymen se encarregaram de nos dar: uma feliz noite sorridente.

Assim que Ian entoou as primeiras sílabas das músicas que acompanharam vidas, a emoção na plateia atingiu os seus níveis mais acentuados. Todo o público sabia as letras e reconhecia os acordes como a palma das suas mãos. De repente, por uma hora e vinte minutos, colocaram-se todos numa máquina do tempo e voltaram mesmo aos dias de juventude, comportando-se de acordo. Todos nós deveríamos conseguir tal feito. Os sorrisos, esses, existiam em ambas as frentes: fãs e banda.

Os Echo & The Bunnymen enchem medidas e corações. Envolventes, do início ao fim, os temas foram celebrados e regozijados. “The Cutter” ou “Bring on the Dancing Horses” foram motivo para desmesuráveis saltos, entre algumas pausas para se recuperar o fôlego e se conseguir continuar a cantar com McCulloch. Eles são a tal voz romântica e misteriosa que nos murmura bonitas notas musicais. Os românticos acordes de “The Killing Moon” ouviram-se e foram acompanhados de arrepios e suspiros – como não poderia deixar de ser, e ainda bem. A docemente épica “Lips Like Sugar” foi das últimas e a que nos ficou a ressoar na cabeça muito depois do concerto já ter acabado. Podemos confessar que na manhã seguinte, esta ainda lá estava ela a pairar na nossa mente, juntamente com a nostalgia do concerto da noite anterior.

Foi estranhamente curto – ou assim o pareceu, talvez, de tão bom. Semelhante à sensação de quando comemos algo muito bom e nos fica o sabor na boca. Queremos e esperamos por mais, na esperança de que haverá, mas não há. Foi uma hora e vinte, o suficiente acharão eles, talvez. Fica o sentimento de que nem três horas cansariam as pernas ou a audição. Memorável e arrebatador, pede por um regresso – com mais músicas e palavras dirigidas aos fãs, por favor.  

Texto: Alexzandra Souza

Fotografia: Virgílio Santos