Há bandas que basta um segundo de audição, de uma música qualquer, para que consigamos identificar quem é o interlocutor. Os sons característicos e as vozes singulares ajudam facilmente a chegar lá. Os Beirut, acompanhados pela peculiar voz de Zach Condon, são um desses casos. Lançaram no passado dia 1 de Fevereiro Gallipoli, quinto álbum de estúdio.

O nome do disco é alusivo à cidade italiana Gallipoli, onde a faixa que tem o mesmo nome foi escrita. Esta cidade situa-se à beira mar e, realmente, ouvir Beirut num cenário desses é idílico. Para quem não é fã da sonoridade que nos é tão conexa a este projecto, fica a garantia que não será desta que começam a gostar disto. É que eles têm um som muito singular, ao qual são fiéis desde os primórdios da banda – e tão cedo não o deixarão de ser.

O velho órgão Farfisa de Condon entra como um elemento quase fundamental do álbum e podemos contar com o conforto do conhecido. Os Beirut deixam-se estar onde são bons, onde sabem fazer mais que bem, sem grandes inovações. Convenhamos, falta de grandes inovações nem sempre pode ser considerada uma crítica negativa, muito pelo contrário. Quantas vezes uma banda que muda de sonoridade ou tenta inovar é criticada a jorros por isso?

Em suma, são 12 faixas onde a banda nos leva por caminhos que já conhecemos em trabalhos anteriores. Ainda assim, todas as faixas são belas por excelência. O trombone e o trompete continuam lá – e nunca sairão. Zach Condon é nostálgico e as canções ressaltam essa mesma particularidade. Os Beirut cintilam devido às ternas músicas que inspiram harmonias encantadoras. Eles vivem disto e isto projecta-os para o mundo. Quem acha aborrecido, paciência, não se pode agradar a gregos e a troianos. Toda a gente já sabe que os Beirut são um projecto com um público particular. No entanto, uma vez cativados pela voz de Zach Condon e os companheiros é quase impossível vivermos sem estas lindas e, por vezes, melancólicas melodias que nos lembram passados que deixaram uma saudade apertada.

Os Beirut mantiveram-se na praia à qual estamos habituados a ir e isso, mais que um aconchego, é uma alegria consistente. Gallipoli é mais do mesmo, mas é um mais do mesmo positivo. O indie folk/rock continua compacto e de boa saúde. Recomenda-se, mas só para quem gosta realmente de Beirut.

7.0/10

Alexzandra Souza