As Punch Sessions têm como mote a curadoria de noites de música com selo Punch e como intenção a divulgação de artistas emergentes do panorama nacional. Depois de terem passado pelo Cinema Mundial e pelo Musicbox Lisboa, as últimas edições das Punch Sessions têm chamado casa ao Titanic Sur Mer. Em particular, 2019 já assistiu a duas edições, cada uma com quatro concertos, que proporcionaram viagens alucinantes entre momentos de introspecção e de euforia total.

Março traz consigo um dia muito especial, o dia 8, dia internacional da Mulher. Para o celebrar da melhor forma, a Punch Sessions #6 leva cinco nomes unidos pelo género ao palco do Titanic Sur Mer, numa noite que se dividirá entre o embalo da folk e as viagens da electro pop. O encanto, esse, é comum a todas as artistas que compõem esta noite: Sequin | Lince | Monday | Marinho | April Marmara.

Sequin é o nome pelo qual a maioria de nós conhece Ana Miró. Os palcos já não são novidade nenhuma para esta artista maior da electro pop, que segue como Sequin a sua rota solitária, mas também tem participado em projectos como Jibóia ou Heat. A sua estreia em estúdio aconteceu a convite de Moullinex e resultou em Penelope (2014), que ainda hoje associamos a “Beijing”. Lançou em 2018 o seu segundo álbum de estúdio, Born Backwards, que reflecte o seu amadurecimento enquanto artista e nos trouxe a sua voz mais doce que nunca.  Não temos dúvidas que, no Titanic, não precisará de lantejoulas para brilhar e nos tornar parte das suas músicas.

Lince é desde 2016 o heterónimo de Sofia Ribeiro, a teclista dos There Must Be A Place e dos We Trust que encontrou em nome próprio o seu habitat natural. Sob o som dos sintetizadores surge-nos a sua voz aguda mas doce, que coroa a dream pop de melodias que ousam levar a nossa mente para longe – ou até, no caso do Titanic (sur mer), levar-nos a zarpar pelo Tejo. Depois do bem sucedido EP Drops (2017), do qual não resistimos a destacar “Call Me Home”, Lince lançou o longa duração Hold To Gold (2018, Casota Collective), que exacerba os sintetizadores e lhe confere uma identidade ainda mais peculiar.

Cat Falcão escolheu Monday para a sua persona folk em nome próprio, apesar de nem gostar particularmente de Segunda-Feiras. No passado tem a dupla Golden Slumbers, banda que partilha com a sua irmã Margarida. Apesar de a folk ser sem dúvida a sua génese, reconhecemos na música de Monday outras influências, que a levam para mais próximo do rockOne, o seu álbum de estreia, fala-nos das vivências de Cat, do turbilhão de emoções que provoca a entrada na vida adulta, talvez de se querer adaptar, ou até mudar – uma viagem introspectiva com a qual muitos de nós se conseguem identificar.

Marinho é o apelido de Filipa, menina-mulher que cresceu em Lisboa e ainda hoje tenta recuperar das desajustadas expectativas que a televisão dos anos 90 lhe criou sobre o amor, as relações e a humanidade em geral. É de longa data a sua relação com a música, já passou pela rádio e foi uma das caras do Tradiio num passado recente. Dia 8 Marinho mostra ao mundo o primeiro single, “Ghost Notes”, folk de tom extremamente confessional. Considera uma coincidência cósmica o facto desta Punch Sessions ser dedicada ao dia da Mulher, uma vez que a escrita para si tem apelado a um crescente lado feminista, polvilhado por mulheres que pegam na guitarra para compôr. Imperdível.

Beatriz Diniz encontrou em April Marmara o nome que soa a mar, a persona que encarna para as suas negras canções de amor. Estreou-se no formato longa duração com New Home (2018), uma casa de ideias bem arrumadas com o selo Spring Toast Records. A ideia de escrever músicas surgiu em Beatriz de forma que tanto podemos apelidar de inusitada como de romântica – a sua primeira música, não incluída no álbum, resultou da inspiração que um concerto de Angel Olsen lhe provocou. Dedilhando sua guitarra de forma gentil, April Marmara deixa espaço para a sua rouca voz, que nos atravessa e deleita num surpreendente embalo folk.

Andreia Duarte