Beatriz Diniz encarna April Marmara, no projecto musical que comanda a solo. É acolhida pela Maternidade, e surge em 2016 esta vontade de criar um universo onde pudesse cantar sobre as tristezas do amor, mas só em 2018 é que o primeiro disco sai cá para fora. New Home traz até nós um folk bem cantado e tocado. Um folk que nos chama a atenção e que nos diz que não é apenas mais um projecto de música português – é um que tem e deve ser ouvido.

O timbre arranha precisamente o conceito de cantora folk notável – é suave mas arrojado e potente. E belo. Quase um equilibro perfeito entre os tons graves e agudos, daí tão apelativo à nossa audição. As suaves melodias que acompanham-na ao longo do disco ajudam-nos a entender os caminhos que a artista nos quer mostrar. Ela delineou-os e eles tão lá para serem absorvidos e ouvidos. Ela atreve-se a procurar os seus próprios caminhos no folk e criar uma marca sua em solo nacional. A coragem que a jovem artista empunha é excepcional e deixa de ser coragem, passa a ser um feito digno de menção – porque corre bem, porque ela sabe fazer e faz bem. E a marca fica fortemente vincada, à espera de voltar a vincar num futuro próximo.

New Home tem 10 faixas e cria-nos uma dependência natural, própria de toda a música bonita. Os primeiros segundos de audição sejam talvez um choque – nunca se espera que uma voz seja tão singular. De repente, o poderio do timbre encarna o corpo das canções que nos falam dos tons menos coloridos do amor. E não só, talvez. O disco ajuda-nos a compreender que as tristezas podem ser musicadas, e vivenciadas com mais calma. São canções que se transcrevem como a sensação de estarmos perante um campo onde outrora haviam flores murchas, próprias aos sentimentos negativos, e de repente a boa liberdade. E as coisas à volta ganham a sua devida vida. Porque a voz nos guia nesse sentido, cativa. A vida não passa de mera tentativas de viver perante cativações felizes. April Marmara cumpre essa missão, de modo directo e eficaz.

Destaque para “New Home” e “Lost Friend” – são dez maravilhosas canções mas talvez sejam estas as duas que mais dão vontade de criar uma playlist e deixá-las ali em replay. Até cansar. A questão que fica é se cansaria, de facto.

April Marmara inicia uma carreira que promete ser notável e merecedora de acompanhamento tão próximo quanto possível. Uma revelação que deixa queixos caídos por onde passa. New Home encantou 2018 e, com certeza, continuará a encantar por aí fora.

Nota: 8,5/10

Alexzandra Souza