A música de Sequin mostra um vasto leque de influências. No seu electro-pop sexy, a jovem artista, também conhecida por Ana Miró, consegue incluir dentro da sua música vários mundos. Encontramos ali uma sofisticação muito asiática ou até mesmo um pop mais ocidental. A música de dança está no seu ADN e isso sente-se em todos os seus trabalhos. A música é pensada, tem um toque pessoal e isso cria uma empatia natural com o público.

O primeiro passo de Sequin foi dado em 2013, quando lançou o seu primeiro tema, “Beijing”. Uma canção muito positiva, para dançar, e que contagiou logo o mundo radiofónico. No entanto esta não foi a primeira incursão no mundo da música para Sequin. Antes, passou por bandas como The Ballis Band, Heats e Jibóia. Anteriormente, também teve uma formação mais clássica. No entanto, havia um sentimento de que algo não estava expressado e, como disse no programa No Ar, da Antena 3 e da RTP, “Eu queria ter um projecto em que eu conseguisse sozinha estar em palco e fazer tudo”. Aliás, o nome Sequin está muito ligado a essa vontade própria de se afirmar. Sequin significa lantejoula no singular, a lantejoula brilha, tem destaque, tudo o que esta jovem artista precisava. Dessa vontade de emancipar-se surge o seu projecto a solo, já com algumas música na cabeça e com vontade de colaborar com os melhores em Portugal.

Em 2014 é editado o primeiro álbum, Penelope. Na capa do álbum vemos uma fotografia da cantora com um fundo verde, onde se pode ver uma jovem bonita, confiante e a reluzir. O que ouvimos no álbum corresponde perfeitamente à imagem da capa. As músicas são vibrantes, cheias de texturas e feitas à medida de uma pista de dança intimista. Há uma certa alegria nas canções de Ana Miró, mas com letras profundas e por vezes melancólicas. Trata-se um contraste interessante. Na música Hikaru Garden, canta “All alone in this white garden/I can’t run/I have to stay/’Cause I’m addicted to your ways”. A fragilidade de Sequin transparece nas suas letras, mas a sua confiança está quando sobe ao palco e as canta com firmeza e sem medos.

“Naïve” e “Flamingo” são as canções mais vivas, que nos levam logo a abanar, e mostram a força da cantora que, com batidas simples, faz músicas contagiantes. Este primeiro álbum era aquilo que Sequin guardava há muito tempo, mas ainda não tinha tido tempo nem espaço para mostrar. Este trabalho é uma espécie de libertação, que nos leva para dentro do seu mundo. Nesse mundo conseguimos vislumbrar uma pop mais sexy, que busca inspiração no oriente e no seu minimalismo. Nesta electrónica cabem as suas influências e todo o seu imaginário, este género tem a vantagem de ser muito plástico, flexível e daí este resultado. Sequin compreende isso, molda as suas músicas a seu gosto e nunca compromete o seu estilo.

Eden é o segundo trabalho de Sequin, um EP com cinco faixas editado em 2016, que mostra um outro lado da cantora. Com canções mais pesadas e dark, neste EP conseguimos perceber que a artista originária de Évora quer mostrar a sua versatilidade. Este talvez tenha sido o trabalho mais experimental até agora. Passado um ano de lançar o EP, lança outro, mas com remixes de três músicas de Eden. A música que se destaca do EP original é “Elipse”, com uma batida forte e seca mostra influências de artistas como Grimes. Apesar de não ter tido grande impacto, este segundo momento deixa claro que Sequin é uma artista que não tem medo do risco.

As aventuras que se seguiram foram a preparação do segundo álbum e o desafio de ir ao Festival da Canção 2018. Estes dois projectos tiveram a mão de Xinobi (aka Bruno Cardoso). Xinobi foi o artista convidado pelo Festival da Canção para compôr uma música, que depois pediu a Sequin para a interpretar. O tema foi “All Over Again” e ficou em último lugar na segunda semifinal. Contudo, o trabalho entre os dois continuou, pois Xinobi foi o produtor do segundo álbum de Sequin, que foi editado em Maio de 2018.

Born Backwards é nome do segundo longa duração. Este álbum, com produção de Xinobi, vai buscar uma electrónica mais profunda com ramificações mais alternativas. Divergindo um pouco do trabalho de Penelope, que era mais pop e alegre, e que teve produção de Moullinex (colega de estrada e de trabalho de Xinobi). Existem aqui pormenores que só podem ser ouvidos com uma escuta mais atenta. Aqui notamos uma Sequin mais delicada e madura, que procura um tipo música mais evoluído e que possa envolver o público de outra maneira. “Queen” é o primeiro single e a canção que se destaca mais, transportando a energia que Sequin quer mostrar nesta fase. Mais do que um novo álbum, a exploração musical de Sequin continua, com músicas bem construídas e com a ambição de procurar lugares novos na sua música. Se calhar nem todas as canções vão soar bem à primeira, mas aqui notamos o esforço de procurar algo que desafie a artista e que possa trazer coisas mais interessantes no futuro.

Sequin é da nova geração de mulheres que arriscou subir a palco para mostrar as suas ideias e a sua arte. A sua música electrónica é muito própria, cheia de boas referências e com muita personalidade. Também soube rodear-se das pessoas certas para construir um início de carreira mais sólido e consistente. Mais do querer fazer a sua própria música, Sequin, de uma maneira muito natural, encheu a pista de dança com o seu lado feminino, sensual e íntimo.

Rodrigo Toledo